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Postagens

Pulsa e dói

Por Kleidianne Nogueira

Mais uma noite de explosões mentais. Mais uma noite de insônia à vista. O mundo particular de Ana foi invadido por civis inocentes que ela não pode combater.

Pá! Ela imagina a porta batendo e a guerra cessando. Não bate. São civis inocentes.
Sai sem rumo. Senta num banco qualquer e lê sobre um tal psicanalista criador do termo "crise de identidade".

Não lê muito. Em pouco tempo os olhos apenas deslizam sobre as palavras mas elas não fazem o menor sentido. A brisa vem refrescante como há muito tempo não sentia. Não traz a calma, mas trás de volta uma parte da consciência. Então se dá conta de como tudo pulsa e dói. A nuca, o pescoço, o estômago, as veias das pernas, a sola do pé. Pulsa e dói.

Enquanto toma consciência da própria situação, os olhos permanecem fixos nas palavras. A brisa agora perturba suas narinas com o aviso de que aí vem alguém. Ela nem sabe dizer se gosta do perfume, mas não gosta da ideia de ter companhia agora.

- Boa noite.
- Boa n…
Postagens recentes

A construção do eu mãe

Por Kleidianne Nogueira.


* Padecer longe do paraíso sugerido em verso antigo parece-me ser de fato a sina da maternidade. Mas como não amar os sorrisinhos de quem nos condenou?

*Então é verdade que você é uma parte da minha história, mas não a extensão dela. Inúmeros caminhos aguardam que você escolha trilhá-los. Sem mim. Que Deus te conserve decidida a me dar as costas e aceitar os desafios da vida com tanta ousadia quanto hoje. E que Ele me conceda graça suficiente para aceitar que você não é minha. - Pois hoje ela deu o primeiro passo firme na longa jornada da independência.

*Sou obrigada a concordar com tantos clichês sobre maternidade que perdi a conta. Sim, o amor de mãe é inexplicável, incomparável. E mesmo quando o meu sangue ferve ao descobrir alguma malcriação, ou quando choro de cansaço e desespero, ainda transbordo amor. Amor que não nasceu da noite pro dia, mas vem preenchendo todas as minhas noites e dias. Amor que me transforma, que transforma a minha concepção de mundo…

Trancas

Fez tudo como de costume. Abriu os cadeados um por um e, enquanto os colocava de volta trancados, jogou de qualquer jeito as sacolas sobre o sofá. A curiosidade, maior do que a vontade impaciente de aliviar a bexiga lotada, fez com que ligasse o celular ao carregador antes de seguir em direção ao banheiro. Numa cadeira seca e barulhenta, ficou sentada por um longo período bisbilhotando redes sociais de conhecidos e estranhos.
Lembrou-se, por fim, das sacolas e correu com as mãos na cabeça ao avistar a  terrível tragédia que ela mesma causou: na pressa por saciar seu vício não assumido em internet, deixou no sofá uma sacola com os pedaços de carne fresca que prepararia no dia seguinte.
- Eu sabia que a melhor opção era couro sintético, e não veludo! - balbuciou sozinha enquanto tentava remover aquela gosma nojenta que se espalhava no sofá recém-reformado. - Mas veludo é tão lindo... Deve haver uma forma de reverter essa burrice que cometi!
A tal forma, se havia, não chegou a ser conce…

Não existe fase melhor que a infância.

Não existe fase melhor que a infância.
Por Kleidianne Nogueira

Luiza foi trazida da escola mais cedo queimando de febre. Medico, agasalho, beijo e faço menção de sair do quarto pra concluir o almoço. Ela se dirige a mim como se eu estivesse cometendo um pecado imperdoável.
- Mamãe, rum! Tu não vai deitar comigo? 
Volto e a acaricio enquanto explico que, apesar de estar tocada pelo pedido, o almoço não se fará sozinho e nós precisamos comer.
Dias depois sou eu que estou ardendo em febre numa rede. Sozinha com duas crianças, choro de dor e preocupação, adivinhem, com o almoço.
Luiza me cobre com um lençol e diz carinhosa:
- Vou deitar com você pra você ficar boa, viu?!
Viu.
À noite tenho uma piora e com ela sempre do meu lado ensaio um drama:
- Lulu, eu tô muito mal. Chama a Doutora Brinquedos.
- Mamãe, a Doutora Brinquedos é só um desenho.
Viu?
Criança é esperta o suficiente para acreditar que é a mamãe deitada do lado que vai curar o dodói, mas que a doutora do desenho é só um desenho.
Não existe m…

Girassol

Olá, queridos!
Neste Dia Internacional da Mulher, escolhi homenagear a todas nós através de uma poetisa e grande amiga que Deus me permitiu acompanhar através das redes sociais: Ludmila Clio, do blog Copo de Letras
Conheci o trabalho da escritora Ludmila Clio pelo Instagram num momento de enorme fragilidade e comecei a comentar nas postagens com as quais me identificava. Minha intenção era somente comunicar a ela que havia cumprido sua missão e tocado mais uma alma com aquelas palavras tão carregadas de sentimentos. Minha surpresa foi receber de volta sua preocupação legítima comigo.
Nossa amizade me permitiu voltar a escrever e este poema nasceu apenas para retribuir o carinho que dela recebo. Um poema-flor, como a Lud o chamou.  
Espero que gostem.
Por Kleidianne Nogueira

Girassol
Para Ludmila Clio

É cada palavra que seu olhar me diz.
Cada medo adolescente escondido nessa pose de mulher...
Mas o medo não lhe paralisa.
Você tenta, tenta, tenta e tenta.
E consegue!
Mas comemora a ba…

A mãe que não ama.

Oi, gente boa!
O tema do texto de hoje é muito delicado: a depressão pós-parto e a nossa tendência a julgamentos e condenações. Senti a necessidade de falar sobre esse tema após viver a depressão pós-parto e sentir na pele como é uma condição difícil de viver, de explicar, de conviver... enfim, difícil. 
Como se não bastasse sofrer o próprio transtorno, ouvimos todo tipo de comentário condenatório. Algumas pessoas não sabiam que eu estava em tratamento e falavam sobre outras mães com o mesmo problema de forma muito direta condenando-as.
É preciso falar que esses julgamentos não ajudam de modo algum a mãe que sofre de depressão (muito pelo contrário). Esses julgamentos não ajudam em nada à pessoa que os emite. Então, vamos evitá-los, pois são ao mesmo tempo inúteis e destrutivos.
Um grande abraço bem apertado em todas as mães que não amam. Eu entendo vocês. 

A mãe que não ama.
Por Kledianne Nogueira.

Ah, a mãe que não ama!
Que bicho estranho!
De que planeta ela veio?
Para onde vai eu se…

A carta convertida

Oi, amores!

Antes de mais nada, convido você que ainda não leu o texto A Carta a clicar no link e espiar o texto que antecedeu A Carta Convertida.

Como contei , esse é o tipo de texto que vem chegando na nossa mente sem que haja uma intenção nossa de desenvolver determinado tema. É a criatividade pura brincando com a gente. Quando terminei A Carta, logo me ocorreu A Carta Convertida, com trechos de músicas evangélicas.

Me diverti bastante escrevendo e gostaria muito que vocês se divertissem também.


A Carta Convertida
Por Kleidianne Nogueira


Eu posso te saudar
Com a paz do Senhor.

Estou no meu jardim, tranquei a porta e comecei a escrever esta carta. Não se espante com o que vou dizer.

Eu quis viver a minha vida sair por aí. Eu andei sem destino, perdi a razão. Oh! Quão cego eu andei!

Certo dia parei procurando encontrar resposta. Entrei no templo, dobrei os meus joelhos em fervente oração. Descobri a fé, minha vida floresceu. Eu encontrei Jesus, que mudou a minha história.

Desde então…