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Mostrando postagens de 2016

Cordel das irmãs sem sorte

Por Kleidianne Nogueira 


Duas histórias distintas
De irmãs de mesma sina
Duas moças bonitas
Que a vida maltratou

Joana desavisada 
Que tão cedo se casou 
Com seu João Agressildo 
Que a chamava de amor

Já Maria Alegria 
Vivia a se mostrar
Namorava quem queria
Era tanta festa que ia
Que não dá nem pra contar

Um dia sua alegria
Transformou-se em pavor
E Maria, quem diria?
Sumiu com um tal doutor

Vivia tão diferente
Se afastou de tanta gente
Perdeu um dente da frente
E a irmã desconfiou

Acontece que Joana 
Já vivia em confusão
Pois o tal do bom marido
Era só decepção

Logo na lua de Mel
Deu-lhe um chute na canela
Não satisfeito o rapaz
Desdenhou do corpo dela

E entre tapas e gritos
Joana enfim despertou
Daquele inferno maldito
Com coragem se livrou

Foi atrás de seus direitos
Com a polícia retornou
Não deixou que o tapa virasse
Uma agressão que a matasse
Ela mesma se amou

Depois disso então Joana
Quis saber da irmã Maria 
Que histórias escondia
O namoro com o doutor

Descobriu que a irmã vivia
Bem maior desilusão
Que o homem se sentia
D…

Carta de um agressor arrependido

Por Kleidianne Nogueira.

* Obra de ficção baseada em estudos sobre agressividade masculina na adolescência.

Se vocês me permitem, mulheres, preciso bater um papo com esses garotos levados. Isso mesmo: vocês são nosso assunto predileto. Depois do futebol, claro!

Alguns de nós tem o pensamento equivocado de que as mulheres são inferiores. Gostamos de tratá-las como crianças inúteis. Gostamos de dominá-las e humilhá-las publicamente. Era isso que eu fazia na escola com minhas colegas e em casa com minhas irmãs.

Ninguém me alertou sobre o caos em que poderia se tornar a minha vida adulta. Em resumo, destruí a minha vida e quase matei aquela a quem prometi amar e proteger. Por isso, decidi alertá-los enquanto é possível controlar seus impulsos agressivos e construir um futuro diferente do meu.

Sei que a maioria de vocês não vai admitir, mas sente falta de gentilezas, afeto, amizades verdadeiras. Vocês sentem muita raiva, tristeza e abandono. Sei que vocês tem dificuldade de comunicar essas carê…

Minha Menina

Por Kleidianne Nogueira

Teresina
minha casa adolescente
que não tem fartura
nem paixão
que acorda cedo
e sente saudades.

Teresina
minha jovem residência
que é feita de amor
com base na fé
e um pé no porvir.

Teresina
meu futuro planejado
a esperança que me guia
o trabalho que me aguarda.

Minúsculas Partículas (3)

Por Kleidianne Nogueira

💢 Nó em pingo d'água

As águas quietas produzem moléstias
As torrentes, catástrofes
A falta d'água mata o meu chão
O excesso dela enxarca o pão

E eu fico no meio
Cantando pingo
Tentando dar nó...

💢 Cantiguinha de Ninar

Todo dia um céu diferente
Nuvens belas
Nenhuma delas
Sol, lua, chuva
Cadentes estrelas brilhantes
Passarinhos flutuam no azul
Voam longe
Não sei pra onde
Cantam suave

Suave, suave, suave...



💢 Ésse dois
Se somente soubesses sussurrar sentimentos serias sempre sincero sem ser sozinho.

💢 Retrato


Se me gasto, saio um caco! Sobra tempo? Dou-me um trato! Doméstica, de fato!

💢 Sem título (1)

A adolescência de seus pensamentos não mantinha conexão com sua verdadeira idade. Sua mente era terreno fértil onde as ideias dançavam e rodopiavam ao som de melodias confusas.






Minúsculas Partículas (2)

Por Kleidianne Nogueira


📚 Carregando Pedras

Quando o mundo está desabando
o menor grão de areia tem o peso de mil blocos de mármore.
Mas as lágrimas...
Essas não tem peso algum.
Elas caem, caem, caem, caem... e nada se move!

📚 Aqui


Cá no cantinho do peito trago um pedacinho de carne que pulsa. Onde antes cabia o mundo inteiro e hoje não cabe um tantinho da minha culpa.

📚 Suflê

De tão sofrida, a vida virou suflê:
tem receita pequena
nome bonito
e pouca gente sabe fazer.

📚 Nada Mais

Se é pra doer
que doa logo
arranque tudo
e leve a minha paz.
Que eu sei que dor grande
desemboca em alívio imenso
nada mais.

📚 Meio Assim

A tristeza escondida no nariz do palhaço
borrou a maquiagem
e sujou o espetáculo.

📚 Fase difícil

Aprendi que a fase ruim que pensei existir
na verdade não era fase.
É que a vida é toda trabalhada na dificuldade.







Minúsculas partículas (1)

Por Kleidianne Nogueira


🎀 Poeminha Antigo

Esse vento de julho
faz chover folhas em Teresina.
Tomara que chova o Ipê todinho
pra vir logo agosto e ele ficar amarelinho.

🎀 Pra Ela.

Por ela, pintaria o céu de rosa,
plantaria flores no Alasca
e investiria na bolsa dos cangurus.

🎀 Birra

A marra
Que teu carinho não desfizer
Amarra
Que essa marra é Candomblé

🎀 Ah se...

Ah se eu mergulhasse
E o fôlego faltasse
Se pertinho ele chegasse
Rapidinho me salvasse
Com carinho me falasse
Destino melhor?
Não há quem trace
Ah se...







Deus olha pra mim...

Por Kleidianne Nogueira

Deus olha pra mim e então Ele pensa: Que menina mais impulsiva essa que eu criei!
Já me vem novamente com aquelas orações emotivas e um rio de lágrimas. Me fala com tanta convicção dos planos que fez há apenas cinco minutos, que qualquer um poderia julgar serem os sonhos que carrega desde a mais tenra idade.
Mas eu não penso isso. Eu a conheço muito bem. Sei que é mais uma fase. Em pouco tempo essa falsa determinação se esvai. Com um simples sopro.
E fica nela uma frustração absurda por não alcançar objetivos que nem mesmo eram dela. Eram projeções equivocadas.
Novamente as lágrimas.
Já me acostumei a esses seus ciclos. Mas ela não. Insiste em sofrer por conta deles. Leva sem necessidade uma considerável carga de sentimentos ruins. Todos obviamente dispensáveis. Ao invés de se desfazer deles, se apega cada vez mais.
A ansiedade é o que mais a prejudica. Faz com que tente resolver os problemas o mais rápido possível. Quer mudanças. Quer soluções. Mas não quer e…

Surto

Por Kleidianne Nogueira

Chega o momento em que você quer realizar tudo de uma vez, agora!

Antes que não seja mais necessário.
Antes que você não queira mais realizar.
Antes que se torne impossível.

Você fica sufocada pela própria vontade e pelo medo...
Pela dúvida...

E a cada escolha errada, uma dose a menos de coragem.
Uma insatisfação a mais...
Tristeza.

Até que você para, respira e começa tudo outra vez...

Porque surtar é o seu combustível.

Digno és, Senhor.

Por Kleidianne Nogueira

Pai, teu amor
Me envolve, me preenche
Me impele a amar como me amou.

Eu quero honrar
O teu nome com minha vida
Espalhar tua alegria
Te adorar

Já não me importo com as lutas
Sei que estás comigo
Teu santo espírito traz paz.

E quanto mais eu me entrego
Mais recebo graça
Pra sempre quero te louvar

Digno és de louvor
Digno, Santo é o Senhor
Aleluia pra sempre e sempre

Digno és de louvor
Digno, Santo é o Senhor 
Aleluia pra sempre
Glória ao Senhor!

Ponto Final

Por Kleidianne Nogueira

A voz é sua
A dor também
O desespero 
De ser apenas mais um

Não fale agora
Mas grite alto
Desça do salto
E corra atrás

Não pegue o ônibus que vai tão rápido para o ponto final

Esqueça o endereço
Invente um tropeço
Ou sente pra ler o jornal

A vida tem graça 
Há vida na Praça
Há vida em cada quintal

Escute o chamado da vida que em breve te leva ao ponto final.

Um dia daqueles

Por Kleidianne Nogueira.

Hoje é um daqueles dias em que eu sairia quebrando todos os copos da casa, mas eu tive a brilhante ideia de substituir os copos de vidro por copos da Tupperware. Que espécie de monstro eu seria se lançasse aqueles copos tão bonitinhos contra a parede?

Mas a questão não é quebrar copos. A questão é estar em fúria. Eu que quero tanto a paz. Que a busco incessantemente. 

Então me dou conta de que aceitar a raiva dentro de mim não interrompe a paz que deveras vivo. A paz de ser quem realmente sou. 

Estou com raiva! É algo que preciso vivenciar. Circunstâncias alheias ao meu controle, plantaram em mim uma sementinha de ira que germinou. Agora preciso apenas cuidar para que não gere frutos de amargura e rancor colhidos pelos que me cercam.

Nunca fiz análise ou estudei a mente humana. Não sei se os especialistas recomendam tal atitude, mas é a minha escolha. Assim encaro uma emoção desconfortável. 

Aceitar a raiva. Viver a raiva. Controlar a raiva. 

Se eu simplesmente margi…

DorMente

Por Kleidianne Nogueira

Ela temia acordar. Imaginava o que encontraria e não queria enfrentar agora. Não queria enfrentar nunca.

Era assim que reagia sempre. Trancafiava seus pensamentos, suas dores e sofrimentos numa mala e viajava com aquele peso a tiracolo por fantasias irrealizáveis.

Conseguia ficar imersa em delírios por horas infindas. Não importavam as vozes, nem qualquer barulho.

Seu corpo não dormia, mas sua mente sim. Dormia e sonhava. Desenhava um mundo seu, onde as situações eram controladas a seu modo.

Mas sempre chegava a hora de acordar. Acordar e ser alguém que não queria ser. Acordar e querer voltar a mergulhar naquele espaço inventado onde nada despertava nela uma vontade quase irresistível de ser triste.

Bilhetes ao Inventor

Por Kleidianne Nogueira

Moço Inventor

Venho por meio deste bilhete, perguntar por quê o Senhor não criou um coração para a dor e outro para o amor. Se houver resposta, favor não colar o envelope, que um segredo assim deve ser revelado a tantos quantos quiserem espiar.

Agradecida
Moça Sofrida.


Moço Inventor,

Venho por meio deste, solicitar trancamento da matrícula da Vida. Preciso me organizar, formatar a cabeça, descobrir uma forma de bancar a mensalidade da existência. E como a Vida passa muito rápido, a carga horária está puxada e os assuntos muito difíceis, pensei que talvez fosse uma boa ideia trancar a matrícula. Se precisar, eu assino, pago taxas e afins. Só preciso dar um tempo...

Teresina, 10 de janeiro de 2011.

Papai do Céu

Por Kleidianne Nogeura

Há quanto tempo não o chamo assim?!
Tem espaço em seus braços para uma filha que retorna?

Papai, senti sua falta!
Queria dizer que minha vida seguia em paz e ainda assim eu quis voltar...
Mas estaria mentindo.

Paizinho, por que tendo a esquecê-lo quando tudo vai bem? Por que?

Posso me sentar um pouco? Não quero dormir agora.
Meus pensamentos são confusos, tenho tantas dúvidas a desfazer, tantas perguntas...

Mas não agora!

Neste instante só lhe peço abrigo, um abraço... atenção...

Depois sou toda ouvidos.
Em Sua voz, sei que encontrarei paz...

Companhia

Por Kleidianne Nogueira

Quando a inspiração bate à porta do quarto é melhor ter caneta e papel por perto ou a noite será longa.

Numa noite dessas ela veio, chegou devagar como se não fosse ficar. Até que armou uma rede sobre a minha cama.

Tirou meu sono e me fez escrever com tinta Branca em papel reciclado.

A inspiração é visita conhecida e folgada, que chega sem hora marcada e exige as mais incríveis regalias.

Paralelo

Por Kleidianne Nogueira

Rabisco palavras jogadas
Nas linhas que faltam à minha vida.
Pinto figuras rasgadas
Como se tivessem algum valor.
Entendo e finjo que explico
O que confunde a minha voz alienada
- ergo a bandeira da acomodação militante.
Pesquiso sem aprender
E esqueço para não lembrar
Que a memória já não é  mesma.
E assim, entre contradições,
Guardo lições que me dizem
Que o conflito alimenta o tempo que leva-me adiante.

Confusamente viva.
Complexamente explicada.

Palavras cuspidas não evaporam

Por Kleidianne Nogueira

Sou bagagem e transporte. Levo e sou levada. Trago lembranças e sou arrastada por consequências. Planto, colho! Não há o que negar.

Tenho uma boca enorme, uma língua ardilosa, difícil de dominar. Tenho arrependimentos.

Mas palavras cuspidas não evaporam. Não somem. Palavras cuspidas enchem taças amargas na mesa de quem as ouviu. E nem sempre percebemos que estamos cuspindo.

Ladeiras

Por Kleidianne Nogueira

Ladeira I

Descendo a ladeira
Com a mão na cintura
Formando uma alça
Onde leva os livros
Na outra balança
Pulseiras que dançam
Fazendo barulho
Descendo a ladeira...


Ladeira II
Sobe ladeira Desce ladeira Sem companhia Seja noite ou dia Rampa ou ladeira Sobe faceira Sem eira, nem beira E sem companhia Um dia se cansa De tanta andança De tanta ladeira De viver sem eira De não ter companhia Não sentir alegria Em subir a ladeira E descer todo dia


Ambos meus, embora não.

Por Kleidianne Nogueira

Ela nasceu drama, ele mistério. Ela o começo, ele o fim. Ela aprendizado, ele experiência. Ela guerreira, ele paz.

Ambos arrancados antes de desabrochar. Inundaram o mundo de inexplicável existência. Inexplicável para mim. 

Ambos meus, embora não. Ambos trabalho. Cansaço. Renúncia. Ambos amor voluntário. Entrega. Paixão.

Ambos meus, embora não.


Cirandar

Por Kleidianne Nogueira.

Nós somos quatro Eu com as quatro Eu com essa Eu com aquela Fui ficando Restam três
Nós somos dois Eu com ele Eu comigo Lamentando Restam quatro
Nós somos muitos Eu com tantos Laços fragéis Eu com elas E eu com isso?

O suicídio da lágrima

Por Kleidianne Nogueira

Não consigo esquecer aquela lágrima enganchada em seu olho. Ela estava encostada ao poste, cabeça reclinada e lágrima enganchada.
Olhava para o chão.
Como se não existisse outra opção. Como se estivesse sobre ele por acaso, por descuido, ou mesmo por castigo.
Fiquei olhando-a tempo suficiente para assistir ao suicídio daquela lágrima. Cansou-se de estar enganchada, saltou do canto do olho e partiu-se em milhares de pedacinhos imperceptíveis.
Morreu pensando ser o motivo da tristeza de quem a trazia enganchada. Morreu triste. Morreu sem saber que era ela quem impedia toda aquela tristeza de transbordar. 
E como não havia mais lágrima alguma enganchada, outras vieram, desordenadas, lançando-se ao desconhecido. 
Morrendo... 
Quase sem ter existido.

Estrada longa convida

Por Kleidianne Nogueira.

Vê no horizonte aquele tímido clarear? Pinta devagar o céu de vida e enche o chão de esperança. Não é paralelo à estrada; é toda ela. 

A alvorada é uma valsa antiga de cores e luz que descortina o que pousava adormecido no breu. É convite à persistência e eu não tenho intenção de recusá-lo hoje. 

Mas ouça! Não há som que não o da própria vida existindo. O leve passeio da brisa entre as plantas orvalhadas sequer sussurra. Move meus cabelos e enche minhas narinas de fragrâncias nostálgicas. De onde as conheço?

Ah, esse calor suave logo se tornará em brasa e todos estarão correndo do sol. Escondidos em caixotes  refrigerados ou abrigados em camadas agendadas de filtro solar. Sendo conduzidos para fora da longa estrada tão rapidamente  que julgam não ser destinatários do convite que ela faz diariamente.

Dormir é um poema de gratidão

Por Kleidianne Nogueira



Dormir também é um poema. Um louvor ao Criador. Poesia que regenera; descansa corpo e mente. Dormir é entregar-se à morte sem resistência. Perder completamente o controle. 

E há quem sonhe. Há quem viva enquanto dorme o que nunca sonhou desperto. Há quem chore, grite, fale... Há inércia, torpor.

Há também a insônia dos poetas, das almas sensíveis. Tão produtiva quanto um longo dia de trabalho árduo. Se dormir é poema, insônia é fome de viver o que o sol irá trazer.

Mas não podemos negar: dormir é um poema que escrevemos passivamente. 

Para as mães, tanto um poema, quanto um troféu. Para os ansiosos, os enfermos, os medrosos, os idosos cansados, enfim, para aqueles que alcançam o verdadeiro valor do sono, dormir é um poema de gratidão. 

Fechar os olhos e descansar é como dizer: "obrigada pela vida". Quando você dorme, prepara-se para enfrentar um novo dia. Isso é gratidão. Renovar as forças para abraçar mais vida.

Quero escrever a minha história

Por Kleidianne Nogueira.



Quero escrever a minha história. Quero escrevê-la contigo, Deus! Tenho a tinta, a caneta e o papel. Mas a minha inspiração é torta. Não respeita regra, nem ortografia. 
Vem, Deus, editar a minha vida. Faz dela um poema em Tua honra. Põe nela melodia, beleza, encanto e amor. 
Que a gratidão, principalmente a Ti, não me falte. Que a humildade seja, por mim, alcançada.
Que ao errar uma letra, dela se faça nova rima. Que ao esquecer um acento, Tua mão me corrija. Que eu não escreva muito, nem pouco; na medida! 
Que em TUDO eu possa Te louvar, com minha vida!

Catucada

Por Kleidianne Nogueira

Cutuca o
cotôco de gente sentado 
no tôco de pau arrancado
arranjado pra cerca
acerca do gado.

Catuca o
cabôco cantadô
que o canto da terra acabô
e a fulô do cerrado
serrada murchô.

Cutuca e catuca
É sempre esse jogo
Do povo essa saga

Exploram o morro
E a vida do moço
Cum pouco se acaba.

Síndrome da Mulher Dividida

Por Kleidianne Nogueira



Tenho uma mente moderna e um coração antigo. O resto do corpo está perdido no tempo.

Disponho-me a alcançar a lua e meu intelecto projeta os caminhos, mas meu coração prefere ficar em casa cosendo e cozinhando.

Se pelo menos eu soubesse coser... Se não doesse tanto ir à lua... Seria mais fácil decidir se quero cama ou rua.

Sorrisos

Por Kleidianne Nogueira



Rever pessoas amadas e enxergar sorrisos em suas faces: presente de Deus! 

A gente faz uma leitura semiótica involuntária. Não é só um sorriso por ter reencontrado uma amiga. É o sorriso de quem está bem, está em paz, em processo de cura. 

É que eu conheço muitas histórias tristes, vi muitas lágrimas, fugas, desculpas. E enquanto eu travava minhas próprias batalhas não podia fazer nada a não ser orar. 

Eu sou dessas que acreditam em Deus. Que acreditam que uma prece feita em favor de alguém nunca é em vão. Eu oro. Eu torço. Eu boto fé! 

E eu amo muita gente. Amo daqui de dentro do meu mundo hermético. Essa cápsula de defesa não opcional que reside em mim.

Se Deus me presenteia com sorrisos, eu os devolvo em maior escala. Sorrio e abraço com sinceridade enquanto meu coração dispara.

Sim. O meu sorriso é de quem está bem, está em paz, em processo de cura.

Desejos

Por Kleidianne Nogueira

Que a dor que sentes seja somente tua e que eu não ouse fingir que a carrego contigo.
Que a minha dor não te atrapalhe os passos, e que tu não te atrevas a ser hipócrita como os que dizem entender a dor alheia.
Que a minha tristeza te encoraje a buscar alegria e que a tua força me faça feliz.
Que nossos inimigos conheçam nossas faces e que sejam convictos de suas desavenças contra nós.
Que a covardia seja guardiã fiel da nossa paz e que as afrontas não movam nossas armas.
Que os nossos sejam repartidos e que os seus não se misturem aos meus.
E se entenderes o que tento dizer-te; se questionares, ou simplismente aceitares; guarda-o contigo, pois ao final de todas as palavras quero dizer-te o mesmo: amo-te. Não faço juras, nem promessas, mas amo-te muito.
E se também amas a mim, recosta teus desejos aos meus e ajuda-me com as palavras, que a elas pertencia o coração que a ti entreguei.

Sou pura inspiração

Por Kleidianne Nogueira

Lençóis bagunçados não contam histórias. Nem paredes rabiscadas. Nem pratos quebrados. Eu as conto. É meu prazer e dever. Mãos e pés atados, mas tenho voz.

Não. O mundo não me quis amordaçada pois o mundo achava que eu não tinha o que dizer.

As palavras buscam minhas frases soltas. Brincam de me conquistar. E tudo o que eu tenho é voz. Tenho lençóis bagunçados, paredes rabiscadas, pratos quebrados e voz. Tenho as palavras à minha volta e dentro de mim.

Não explico. Não critico. Não incito. Não problematizo. Dou voz às palavras que me conquistam.

Sou emoção a gotejar. Inspiração.