Pular para o conteúdo principal

Um dia daqueles

Por Kleidianne Nogueira.

Hoje é um daqueles dias em que eu sairia quebrando todos os copos da casa, mas eu tive a brilhante ideia de substituir os copos de vidro por copos da Tupperware. Que espécie de monstro eu seria se lançasse aqueles copos tão bonitinhos contra a parede?

Mas a questão não é quebrar copos. A questão é estar em fúria. Eu que quero tanto a paz. Que a busco incessantemente. 

Então me dou conta de que aceitar a raiva dentro de mim não interrompe a paz que deveras vivo. A paz de ser quem realmente sou. 

Estou com raiva! É algo que preciso vivenciar. Circunstâncias alheias ao meu controle, plantaram em mim uma sementinha de ira que germinou. Agora preciso apenas cuidar para que não gere frutos de amargura e rancor colhidos pelos que me cercam.

Nunca fiz análise ou estudei a mente humana. Não sei se os especialistas recomendam tal atitude, mas é a minha escolha. Assim encaro uma emoção desconfortável. 

Aceitar a raiva. Viver a raiva. Controlar a raiva. 

Se eu simplesmente marginalizá-la como se não existisse em mim, talvez ela encontre outros desconfortos debaixo do tapete e forme o esquadrão que irá me matar jovem e desiludida. 

Vivo um dia de fúria para não morrer um dia de ódio. Reclamo. Esbravejo. Desabafo. Me permito ser chata. Seguro firme a mão da ira e entro na maratona de dança que daqui a pouco vai terminar.

A esperança é que hoje seja um dia daqueles. Respiro fundo e retomo as rédeas. Hoje apenas. Talvez amanhã, quem sabe? Às vezes os hormônios traem nosso planejamento prévio de gerenciamento de emoções. Às vezes nós mesmos sequer nos damos conta de que estamos saindo dos trilhos que escolhemos percorrer em paz. 

Paciência. Estou com raiva e me entregando a ela enquanto penso sobre o que a provocou. 

De resto, sempre há um prato descuidado na pia. Meio rachado. Meio querendo ir ao chão. Completamente decidido a me manter em paz. 

Postagens mais visitadas deste blog

Cordel das irmãs sem sorte

Por Kleidianne Nogueira 


Duas histórias distintas
De irmãs de mesma sina
Duas moças bonitas
Que a vida maltratou

Joana desavisada 
Que tão cedo se casou 
Com seu João Agressildo 
Que a chamava de amor

Já Maria Alegria 
Vivia a se mostrar
Namorava quem queria
Era tanta festa que ia
Que não dá nem pra contar

Um dia sua alegria
Transformou-se em pavor
E Maria, quem diria?
Sumiu com um tal doutor

Vivia tão diferente
Se afastou de tanta gente
Perdeu um dente da frente
E a irmã desconfiou

Acontece que Joana 
Já vivia em confusão
Pois o tal do bom marido
Era só decepção

Logo na lua de Mel
Deu-lhe um chute na canela
Não satisfeito o rapaz
Desdenhou do corpo dela

E entre tapas e gritos
Joana enfim despertou
Daquele inferno maldito
Com coragem se livrou

Foi atrás de seus direitos
Com a polícia retornou
Não deixou que o tapa virasse
Uma agressão que a matasse
Ela mesma se amou

Depois disso então Joana
Quis saber da irmã Maria 
Que histórias escondia
O namoro com o doutor

Descobriu que a irmã vivia
Bem maior desilusão
Que o homem se sentia
D…

O Reino das Borboletas Perfeitas

Por Kleidianne Nogueira

Era uma vez, e ainda é, um reino chamado Perfeição, lar da Perfeita, lagarta que tudo cria. A Perfeita era preenchida por um amor perfeito e infinito. Em determinada era, a Lagarta quis dividir esse amor que a preenchia com seres diferentes dela. Assim surgiram as borboletas. Belas, delicadas, capazes de voar livremente, mas atormentadas por um desejo insaciável de serem perfeitas como a Perfeita é.

Para que as borboletas viessem a existir de fato, era necessário que a Perfeita cuspisse pequenos casulos temporariamente sobre a Terra Imperfeita. Esses casulos se abriam ao toque suave de uma brisa vinda da própria Lagarta. Como um presente para que se lembrassem de seu amor por elas durante o exílio, a Perfeita escreveu-lhes uma carta contendo a descrição de si, das borboletas perfeitas e instruções para que encontrassem o caminho do Reino da Perfeição.

A carta ficou extensa e complexa como a perfeição. Por isso, quando a Perfeita estava encerrando sua escrita…

Te agradecer

Por Kleidianne Nogueira



Óh, vem fazer morada neste pobre coração
Vem alcançar-me com gratuita salvação
Amor imenso que não mereci

Clamei pelo teu nome quando a escuridão chegou
Em meio à luta minha alma te buscou
E o Deus dos deuses a mim se revelou

Do ar que eu respiro
Ao pão que vou comer
Do nascer do dia
Ao anoitecer
Jesus,
O que eu faço é te agradecer

Sondastes o mal
Que há em meu coração
E ainda assim morrestes
Pelo meu perdão
E tudo o que posso é te agradecer.
Te agradecer.