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Carta de um agressor arrependido

Por Kleidianne Nogueira.

* Obra de ficção baseada em estudos sobre agressividade masculina na adolescência.

Se vocês me permitem, mulheres, preciso bater um papo com esses garotos levados. Isso mesmo: vocês são nosso assunto predileto. Depois do futebol, claro!

Alguns de nós tem o pensamento equivocado de que as mulheres são inferiores. Gostamos de tratá-las como crianças inúteis. Gostamos de dominá-las e humilhá-las publicamente. Era isso que eu fazia na escola com minhas colegas e em casa com minhas irmãs.

Ninguém me alertou sobre o caos em que poderia se tornar a minha vida adulta. Em resumo, destruí a minha vida e quase matei aquela a quem prometi amar e proteger. Por isso, decidi alertá-los enquanto é possível controlar seus impulsos agressivos e construir um futuro diferente do meu.

Sei que a maioria de vocês não vai admitir, mas sente falta de gentilezas, afeto, amizades verdadeiras. Vocês sentem muita raiva, tristeza e abandono. Sei que vocês tem dificuldade de comunicar essas carências uns aos outros e os mais estressadinhos abrem logo a boca, magoando todo mundo. É difícil interagir, eu sei! Mas entendam que ser agressivos com as meninas só vai piorar tudo. Gentileza é que geragentileza.

Também sei que estão numa fase em que é difícil encontrar soluções para os problemas. Principalmente se esses problemas envolvem mulheres. Mas o meu conselho é: relaxe e reflita. A solução aparece quando menos se espera.

Outro Conselho que dou por experiência própria é: Não se afogue em bebidas. Se você tem problemas para controlar seu ciúme e sua agressividade, o álcool pode e vai piorar tudo. Seus pais bebem, seus avós bebem, a vizinhança toda bebe,  mas você não precisa beber. Faça diferente e preserve-se.

E o mais importante, sei que vocês se sentem inadequados. No final das contas a agressividade não passa de uma defesa que usamos erradamente para resolver nossos conflitos. Nós não acreditamos no nosso potencial para enfrentar a vida e acabamos por ser agressivos com as meninas para nos sentirmos superiores. 

Mas não somos superiores. Somos homens com grandes capacidades e potenciais, mas não somos superiores. Somos todos iguais e vocês precisam construir hoje o homem que querem ser amanhã. 

Cultivem a gentileza, o respeito mútuo. Reflitam sobre as próprias atitudes em relação às mulheres que conhecem e não se deixem levar pela correnteza de violência que tem invadido os relacionamentos.

Mulheres não são objetos, nem sacos de pancada. Bater em mulheres não lhe torna mais macho, mais poderoso. Bater em mulheres destrói vidas, sonhos, projetos. Incluindo a sua vida, os seus sonhos.

Não passe adiante a ideia de que ser agressivo com mulheres é aceitável. Comece a mudar essa ideia hoje. Não queira para você o futuro que eu infelizmente encontrei.

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