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Mostrando postagens de 2017

A construção do eu mãe

Por Kleidianne Nogueira.


* Padecer longe do paraíso sugerido em verso antigo parece-me ser de fato a sina da maternidade. Mas como não amar os sorrisinhos de quem nos condenou?

*Então é verdade que você é uma parte da minha história, mas não a extensão dela. Inúmeros caminhos aguardam que você escolha trilhá-los. Sem mim. Que Deus te conserve decidida a me dar as costas e aceitar os desafios da vida com tanta ousadia quanto hoje. E que Ele me conceda graça suficiente para aceitar que você não é minha. - Pois hoje ela deu o primeiro passo firme na longa jornada da independência.

*Sou obrigada a concordar com tantos clichês sobre maternidade que perdi a conta. Sim, o amor de mãe é inexplicável, incomparável. E mesmo quando o meu sangue ferve ao descobrir alguma malcriação, ou quando choro de cansaço e desespero, ainda transbordo amor. Amor que não nasceu da noite pro dia, mas vem preenchendo todas as minhas noites e dias. Amor que me transforma, que transforma a minha concepção de mundo…

Trancas

Fez tudo como de costume. Abriu os cadeados um por um e, enquanto os colocava de volta trancados, jogou de qualquer jeito as sacolas sobre o sofá. A curiosidade, maior do que a vontade impaciente de aliviar a bexiga lotada, fez com que ligasse o celular ao carregador antes de seguir em direção ao banheiro. Numa cadeira seca e barulhenta, ficou sentada por um longo período bisbilhotando redes sociais de conhecidos e estranhos.
Lembrou-se, por fim, das sacolas e correu com as mãos na cabeça ao avistar a  terrível tragédia que ela mesma causou: na pressa por saciar seu vício não assumido em internet, deixou no sofá uma sacola com os pedaços de carne fresca que prepararia no dia seguinte.
- Eu sabia que a melhor opção era couro sintético, e não veludo! - balbuciou sozinha enquanto tentava remover aquela gosma nojenta que se espalhava no sofá recém-reformado. - Mas veludo é tão lindo... Deve haver uma forma de reverter essa burrice que cometi!
A tal forma, se havia, não chegou a ser conce…

Não existe fase melhor que a infância.

Não existe fase melhor que a infância.
Por Kleidianne Nogueira

Luiza foi trazida da escola mais cedo queimando de febre. Medico, agasalho, beijo e faço menção de sair do quarto pra concluir o almoço. Ela se dirige a mim como se eu estivesse cometendo um pecado imperdoável.
- Mamãe, rum! Tu não vai deitar comigo? 
Volto e a acaricio enquanto explico que, apesar de estar tocada pelo pedido, o almoço não se fará sozinho e nós precisamos comer.
Dias depois sou eu que estou ardendo em febre numa rede. Sozinha com duas crianças, choro de dor e preocupação, adivinhem, com o almoço.
Luiza me cobre com um lençol e diz carinhosa:
- Vou deitar com você pra você ficar boa, viu?!
Viu.
À noite tenho uma piora e com ela sempre do meu lado ensaio um drama:
- Lulu, eu tô muito mal. Chama a Doutora Brinquedos.
- Mamãe, a Doutora Brinquedos é só um desenho.
Viu?
Criança é esperta o suficiente para acreditar que é a mamãe deitada do lado que vai curar o dodói, mas que a doutora do desenho é só um desenho.
Não existe m…

Girassol

Olá, queridos!
Neste Dia Internacional da Mulher, escolhi homenagear a todas nós através de uma poetisa e grande amiga que Deus me permitiu acompanhar através das redes sociais: Ludmila Clio, do blog Copo de Letras
Conheci o trabalho da escritora Ludmila Clio pelo Instagram num momento de enorme fragilidade e comecei a comentar nas postagens com as quais me identificava. Minha intenção era somente comunicar a ela que havia cumprido sua missão e tocado mais uma alma com aquelas palavras tão carregadas de sentimentos. Minha surpresa foi receber de volta sua preocupação legítima comigo.
Nossa amizade me permitiu voltar a escrever e este poema nasceu apenas para retribuir o carinho que dela recebo. Um poema-flor, como a Lud o chamou.  
Espero que gostem.
Por Kleidianne Nogueira

Girassol
Para Ludmila Clio

É cada palavra que seu olhar me diz.
Cada medo adolescente escondido nessa pose de mulher...
Mas o medo não lhe paralisa.
Você tenta, tenta, tenta e tenta.
E consegue!
Mas comemora a ba…

A mãe que não ama.

Oi, gente boa!
O tema do texto de hoje é muito delicado: a depressão pós-parto e a nossa tendência a julgamentos e condenações. Senti a necessidade de falar sobre esse tema após viver a depressão pós-parto e sentir na pele como é uma condição difícil de viver, de explicar, de conviver... enfim, difícil. 
Como se não bastasse sofrer o próprio transtorno, ouvimos todo tipo de comentário condenatório. Algumas pessoas não sabiam que eu estava em tratamento e falavam sobre outras mães com o mesmo problema de forma muito direta condenando-as.
É preciso falar que esses julgamentos não ajudam de modo algum a mãe que sofre de depressão (muito pelo contrário). Esses julgamentos não ajudam em nada à pessoa que os emite. Então, vamos evitá-los, pois são ao mesmo tempo inúteis e destrutivos.
Um grande abraço bem apertado em todas as mães que não amam. Eu entendo vocês. 

A mãe que não ama.
Por Kledianne Nogueira.

Ah, a mãe que não ama!
Que bicho estranho!
De que planeta ela veio?
Para onde vai eu se…

A carta convertida

Oi, amores!

Antes de mais nada, convido você que ainda não leu o texto A Carta a clicar no link e espiar o texto que antecedeu A Carta Convertida.

Como contei , esse é o tipo de texto que vem chegando na nossa mente sem que haja uma intenção nossa de desenvolver determinado tema. É a criatividade pura brincando com a gente. Quando terminei A Carta, logo me ocorreu A Carta Convertida, com trechos de músicas evangélicas.

Me diverti bastante escrevendo e gostaria muito que vocês se divertissem também.


A Carta Convertida
Por Kleidianne Nogueira


Eu posso te saudar
Com a paz do Senhor.

Estou no meu jardim, tranquei a porta e comecei a escrever esta carta. Não se espante com o que vou dizer.

Eu quis viver a minha vida sair por aí. Eu andei sem destino, perdi a razão. Oh! Quão cego eu andei!

Certo dia parei procurando encontrar resposta. Entrei no templo, dobrei os meus joelhos em fervente oração. Descobri a fé, minha vida floresceu. Eu encontrei Jesus, que mudou a minha história.

Desde então…

A carta

Olá, pessoal!

Às vezes a criatividade pega a gente e brinca de roda. Com o texto de hoje foi assim. Ouvindo "Caminho de Pedra", na voz de Caetano Veloso, achei que combinava com "De volta pro meu aconchego". E uma música após a outra foi me ocorrendo como se todas se combinassem.

Um texto mais leve, com um toque de humor que me encanta. Espero que encante a vocês também.


Por Kleidianne Nogueira



A Carta
Por Kleidianne Nogueira

Amiga, parceira

Eu só quero que você saiba que estou pensando em você. Volta logo pra São Paulo ou eu vou pra Madri.

Subi o caminho de pedra onde não vai ninguém e estou de volta pró meu aconchego. Na verdade, queria era ter uma casinha branca de varanda. Mesmo assim, estou a dois passos do paraíso.

E nessa longa estrada da vida, olha que coisa mais linda, mais cheia de graça eu encontrei: um girassol da cor do seu cabelo.

Poderia estar agora no espaço em um módulo lunar, só que é uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de aco…

"Depressão não é coisa de crente", por isso, vamos tratar.

Oi, amores!
Compartilho com vocês mais um texto baseado em experiências pessoais. Tema polêmico, título irônico e o bafafá foi gigante no Facebook. O tema me expôs, mas achei necessário para despertar outras pessoas que sofrem em silêncio. Precisamos falar sobre transtornos mentais no meio evangélico e ajudar a quebrar os preconceitos que aprisionam a muitos em vidas cheias de conflitos e solidão.


"Depressão não é coisa de crente", por isso, vamos tratar. Por Kleidianne Nogueira.

Pelo menos uma dezena de transtornos mentais tem debilitado nossa geração. Um diagnóstico recente de sério agravo ao sistema nervoso me inclui. Se fôssemos verdadeiramente conscientes da graça maravilhosa e andássemos em comunhão plena com Deus, não haveria espaço em nossas mentes para nada além de paz e contentamento. Mas o IDEAL raramente é o REAL.
Em nossa imperfeição, deixamos que as aflições do mundo nos tornem indiferentes ao conselho de Cristo: TENDE BOM ÂNIMO! Perdemos o foco e, apesar de ten…

Não sou tão descolada quanto meu cabelo aparenta.

Por Kleidianne Nogueira


Não sou tão descolada quanto meu cabelo aparenta
Por Kleidianne Nogueira.

Estava deitada no chão quando Luiza (3 anos) sentou-se e começou a pentear meus cabelos. Sonolenta, mas não adormecida, vi quando Igor (1 ano) passou por mim com uma tesoura sem ponta nas mãos. (Sim, deixo tesouras ao alcance deles). Ele passou de volta sem a tesoura e, indiferente ao perigo que corria, ouvi o barulho das lâminas.
- Lulu, você cortou o cabelo da mamãe!!!!
- Cortei! - respondeu com alegria e inocência.
Enquanto passava as mãos pela cabeça procurando o local exato do estrago, me ocorreu uma conversa recente com um terapeuta. Ao responder-lhe que tinha dois filhos retrucou:
- Três é o número correto. Um fica mimado, dois combinam fácil fazer coisas pelas costas dos pais.
Eu ri da explicação dele na hora em que ouvi e ri de novo quando vi meus dois anjinhos maquinando sorrateiramente contra minha cabeleira. Quando voltei da minha viagem pelas lembranças estava explicando pra Lu…

E o salário, ó!

Por Kleidianne Nogueira. 
E o salário, ó! Por Kleidianne Nogueira.
Poucas tarefas da maternidade são tão desgastantes quanto orientar o dever de casa. Adicione os seguintes agravantes:
orientar dever de casa de uma criança de 3 anos; que (sabe Deus o porquê) usa livros produzidos para crianças de 6 anos; com outra criança de 1 ano do lado pedindo atenção o tempo todo. A cereja do bolo é uma mãe completamente impaciente com os processos de aprendizagem.
Lembro-me claramente de quão contraditória eu era na infância. "Professora!", eu respondia à famosa pergunta "O que você quer ser quando crescer?". Mas era só um coleguinha apresentar a mínima dificuldade de aprender que eu voava impaciente pra cima dele tentando forçá-lo a entender o que, para mim, era tão óbvio. Desrespeitava a professora, sugerindo que não cumpria seu papel, e ao colega, menosprezando sua dificuldade legítima.
Hoje é preciso muita passiflora pra controlar esse monstro "forçador de aprendizagem…