quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A carta

Olá, pessoal!

Às vezes a criatividade pega a gente e brinca de roda. Com o texto de hoje foi assim. Ouvindo "Caminho de Pedra", na voz de Caetano Veloso, achei que combinava com "De volta pro meu aconchego". E uma música após a outra foi me ocorrendo como se todas se combinassem.

Um texto mais leve, com um toque de humor que me encanta. Espero que encante a vocês também.


Por Kleidianne Nogueira



A Carta
Por Kleidianne Nogueira

Amiga, parceira

Eu só quero que você saiba que estou pensando em você. Volta logo pra São Paulo ou eu vou pra Madri.

Subi o caminho de pedra onde não vai ninguém e estou de volta pró meu aconchego. Na verdade, queria era ter uma casinha branca de varanda. Mesmo assim, estou a dois passos do paraíso.

E nessa longa estrada da vida, olha que coisa mais linda, mais cheia de graça eu encontrei: um girassol da cor do seu cabelo.

Poderia estar agora no espaço em um módulo lunar, só que é uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer. Porquê, senão, como seria essa vida?

Mas tudo o que acontece na vida tem um momento e um destino. E hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado. Afinal, há flores em tudo o que vejo.

De tarde, quero descansar. Passar uma tarde em Itapoã. Vamos? Tem espaço na van.

E quando a noite chegar a gente vai pra algum lugar ou posso por uma toalha e te servir o jantar. Ao ar livre, sob aquela lua que brilha lá no céu tão natural quanto a luz do dia.

Tu disseste na última carta que tu virias numa manhã de domingo. E tudo isso foi no mês que vem. Ah, vida real... Quanto tempo será que demora um mês pra passar?

Saiba que quero você de janeiro a janeiro me vistando. Te empresto minha rede branca, meu cachorro ligeiro.

Por favor, mande o meu alô galera de cowboy é pra torcida do Flamengo, aquele abraço.

Se é por falta de adeus, bye bye.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

"Depressão não é coisa de crente", por isso, vamos tratar.

Oi, amores!

Compartilho com vocês mais um texto baseado em experiências pessoais. Tema polêmico, título irônico e o bafafá foi gigante no Facebook. O tema me expôs, mas achei necessário para despertar outras pessoas que sofrem em silêncio. Precisamos falar sobre transtornos mentais no meio evangélico e ajudar a quebrar os preconceitos que aprisionam a muitos em vidas cheias de conflitos e solidão.



"Depressão não é coisa de crente", por isso, vamos tratar.
Por Kleidianne Nogueira.


Pelo menos uma dezena de transtornos mentais tem debilitado nossa geração. Um diagnóstico recente de sério agravo ao sistema nervoso me inclui. Se fôssemos verdadeiramente conscientes da graça maravilhosa e andássemos em comunhão plena com Deus, não haveria espaço em nossas mentes para nada além de paz e contentamento. Mas o IDEAL raramente é o REAL.

Em nossa imperfeição, deixamos que as aflições do mundo nos tornem indiferentes ao conselho de Cristo: TENDE BOM ÂNIMO! Perdemos o foco e, apesar de tentar desesperadamente andar com Deus, não enxergamos mais a vida como um exercício para a eternidade e sim como um castigo antecipado.

À medida que um transtorno mental progride, experimentamos a sensação de total descontrole. Temos consciência de que nossos problemas tem soluções possíveis, mas não conseguimos enxergá-las.

Quero encorajar você a procurar ajuda. Ao me expor, quero contribuir para a quebra do paradigma de que crentes/evangélicos não precisam ou não devem procurar tratamento para as doenças da mente porque "depressão não é coisa de crente".

Concordo. Não deveria ser. Mas agarrados a essa afirmação, alguns de nós deixam de procurar tratamento para uma DOENÇA. Estou certa de que uma vida ideal com Cristo pode manter nosso corpo e mente mais saudáveis, mas nós adoecemos.

Como um câncer de mama ou uma fratura do fêmur, além de orar pela cura, nós devemos procurar tratamento para um transtorno mental. Não deixo de honrar a Deus ao demonstrar minha fraqueza e procurar um terapeuta. Pelo contrário! Se esse terapeuta professar a mesma fé que eu, certamente estarei tratando o que me impede de adorar a Deus em espírito e em verdade.

Por isso, antes que percamos mais vidas por puro preconceito, façamos o seguinte:

👉 Não vamos nos constranger. Vamos assumir que estamos doentes. Mente e corpo estão sujeitos de igual modo a enfermidades;

👉 Vamos procurar tratamento. Inúmeros profissionais estão aptos a tratar dessas doenças. Muitos deles crentes.

👉 Vamos cuidar da nossa alimentação. A Bíblia diz que nosso corpo é um templo e estou convencida de que o modo como o alimentamos interfere diretamente na nossa saúde mental e espiritual.

👉 Não deixe de buscar a Deus! Mesmo que não faça sentido agora. Mesmo que a única coisa que você tenha a entregar a Ele sejam lágrimas. Somos corpo (matéria), alma (mente) e coração (espírito). Se uma de nossas três constituições adoece e não é tratada, acaba adoecendo as demais. Como ouvi de um profissional, os médicos podem nos ajudar a tratar mente e corpo, mas o espírito somente Cristo pode tratar.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Não sou tão descolada quanto meu cabelo aparenta.

Por Kleidianne Nogueira


Não sou tão descolada quanto meu cabelo aparenta
Por Kleidianne Nogueira.

Estava deitada no chão quando Luiza (3 anos) sentou-se e começou a pentear meus cabelos. Sonolenta, mas não adormecida, vi quando Igor (1 ano) passou por mim com uma tesoura sem ponta nas mãos. (Sim, deixo tesouras ao alcance deles). Ele passou de volta sem a tesoura e, indiferente ao perigo que corria, ouvi o barulho das lâminas.
- Lulu, você cortou o cabelo da mamãe!!!!
- Cortei! - respondeu com alegria e inocência.
Enquanto passava as mãos pela cabeça procurando o local exato do estrago, me ocorreu uma conversa recente com um terapeuta. Ao responder-lhe que tinha dois filhos retrucou:
- Três é o número correto. Um fica mimado, dois combinam fácil fazer coisas pelas costas dos pais.
Eu ri da explicação dele na hora em que ouvi e ri de novo quando vi meus dois anjinhos maquinando sorrateiramente contra minha cabeleira. Quando voltei da minha viagem pelas lembranças estava explicando pra Luiza:
- A mamãe já ensinou que só pode cortar cabelo atrás e embaixo, mas você cortou na frente e em cima!
- Pois deixa eu cortar atrás agora.
Sim, deixei ela cortar meu cabelo de novo. Cabelo cresce, ela também. Logo ela não vai querer minha companhia como ela quer hoje. E, não, obrigada! Não pretendo ter o terceiro.

E o salário, ó!

Por Kleidianne Nogueira. 

E o salário, ó!
Por Kleidianne Nogueira.

Poucas tarefas da maternidade são tão desgastantes quanto orientar o dever de casa. Adicione os seguintes agravantes:
orientar dever de casa de uma criança de 3 anos; que (sabe Deus o porquê) usa livros produzidos para crianças de 6 anos; com outra criança de 1 ano do lado pedindo atenção o tempo todo. A cereja do bolo é uma mãe completamente impaciente com os processos de aprendizagem.
Lembro-me claramente de quão contraditória eu era na infância. "Professora!", eu respondia à famosa pergunta "O que você quer ser quando crescer?". Mas era só um coleguinha apresentar a mínima dificuldade de aprender que eu voava impaciente pra cima dele tentando forçá-lo a entender o que, para mim, era tão óbvio. Desrespeitava a professora, sugerindo que não cumpria seu papel, e ao colega, menosprezando sua dificuldade legítima.
Hoje é preciso muita passiflora pra controlar esse monstro "forçador de aprendizagem".
- Você acabou de fazer a sequência, Luiza! É só repetir!.
- Mas eu não sei!
Com 3 anos ela não deve mesmo saber nem o que significam sequência e repetir, imagina escrever os numerais de 0 a 9 umas  três vezes.
Não faz muito tempo que tomei consciência dá necessidade de controlar esse monstro. Eu dizia "Luiza, olha pra mim.", e ela reagia como se não tivesse ouvido nada. Então eu gritava "Luiza, olha pra mim!" e mesmo assustada com o grito, ela não olhava. Foi aí que me dei conta (pasmem) de que a minha filha de 2 anos não sabia o que significava a ordem "olha pra mim". Respirei fundo, amarrei o monstro junto com o sermão que estava tentando dar antes e fui ensiná-la a olhar pra mim quando eu pedisse.
Em pouco tempo ela aprendeu. Em pouco tempo (ainda na infância), mudei minha resposta de professora para pediatra. Até consegui passar no vestibular de nutrição, mas acabei me formando em comunicação. Hoje sou mãe em tempo integral. Yes! Exerço todas as profissões que almeijei. "E o salário, ó!"👌

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