Pular para o conteúdo principal

A carta

Olá, pessoal!

Às vezes a criatividade pega a gente e brinca de roda. Com o texto de hoje foi assim. Ouvindo "Caminho de Pedra", na voz de Caetano Veloso, achei que combinava com "De volta pro meu aconchego". E uma música após a outra foi me ocorrendo como se todas se combinassem.

Um texto mais leve, com um toque de humor que me encanta. Espero que encante a vocês também.


Por Kleidianne Nogueira



A Carta
Por Kleidianne Nogueira

Amiga, parceira

Eu só quero que você saiba que estou pensando em você. Volta logo pra São Paulo ou eu vou pra Madri.

Subi o caminho de pedra onde não vai ninguém e estou de volta pró meu aconchego. Na verdade, queria era ter uma casinha branca de varanda. Mesmo assim, estou a dois passos do paraíso.

E nessa longa estrada da vida, olha que coisa mais linda, mais cheia de graça eu encontrei: um girassol da cor do seu cabelo.

Poderia estar agora no espaço em um módulo lunar, só que é uma ideia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer. Porquê, senão, como seria essa vida?

Mas tudo o que acontece na vida tem um momento e um destino. E hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado. Afinal, há flores em tudo o que vejo.

De tarde, quero descansar. Passar uma tarde em Itapoã. Vamos? Tem espaço na van.

E quando a noite chegar a gente vai pra algum lugar ou posso por uma toalha e te servir o jantar. Ao ar livre, sob aquela lua que brilha lá no céu tão natural quanto a luz do dia.

Tu disseste na última carta que tu virias numa manhã de domingo. E tudo isso foi no mês que vem. Ah, vida real... Quanto tempo será que demora um mês pra passar?

Saiba que quero você de janeiro a janeiro me vistando. Te empresto minha rede branca, meu cachorro ligeiro.

Por favor, mande o meu alô galera de cowboy é pra torcida do Flamengo, aquele abraço.

Se é por falta de adeus, bye bye.

Postagens mais visitadas deste blog

Cordel das irmãs sem sorte

Por Kleidianne Nogueira 


Duas histórias distintas
De irmãs de mesma sina
Duas moças bonitas
Que a vida maltratou

Joana desavisada 
Que tão cedo se casou 
Com seu João Agressildo 
Que a chamava de amor

Já Maria Alegria 
Vivia a se mostrar
Namorava quem queria
Era tanta festa que ia
Que não dá nem pra contar

Um dia sua alegria
Transformou-se em pavor
E Maria, quem diria?
Sumiu com um tal doutor

Vivia tão diferente
Se afastou de tanta gente
Perdeu um dente da frente
E a irmã desconfiou

Acontece que Joana 
Já vivia em confusão
Pois o tal do bom marido
Era só decepção

Logo na lua de Mel
Deu-lhe um chute na canela
Não satisfeito o rapaz
Desdenhou do corpo dela

E entre tapas e gritos
Joana enfim despertou
Daquele inferno maldito
Com coragem se livrou

Foi atrás de seus direitos
Com a polícia retornou
Não deixou que o tapa virasse
Uma agressão que a matasse
Ela mesma se amou

Depois disso então Joana
Quis saber da irmã Maria 
Que histórias escondia
O namoro com o doutor

Descobriu que a irmã vivia
Bem maior desilusão
Que o homem se sentia
D…

Te agradecer

Por Kleidianne Nogueira



Óh, vem fazer morada neste pobre coração
Vem alcançar-me com gratuita salvação
Amor imenso que não mereci

Clamei pelo teu nome quando a escuridão chegou
Em meio à luta minha alma te buscou
E o Deus dos deuses a mim se revelou

Do ar que eu respiro
Ao pão que vou comer
Do nascer do dia
Ao anoitecer
Jesus,
O que eu faço é te agradecer

Sondastes o mal
Que há em meu coração
E ainda assim morrestes
Pelo meu perdão
E tudo o que posso é te agradecer.
Te agradecer.

O Reino das Borboletas Perfeitas

Por Kleidianne Nogueira

Era uma vez, e ainda é, um reino chamado Perfeição, lar da Perfeita, lagarta que tudo cria. A Perfeita era preenchida por um amor perfeito e infinito. Em determinada era, a Lagarta quis dividir esse amor que a preenchia com seres diferentes dela. Assim surgiram as borboletas. Belas, delicadas, capazes de voar livremente, mas atormentadas por um desejo insaciável de serem perfeitas como a Perfeita é.

Para que as borboletas viessem a existir de fato, era necessário que a Perfeita cuspisse pequenos casulos temporariamente sobre a Terra Imperfeita. Esses casulos se abriam ao toque suave de uma brisa vinda da própria Lagarta. Como um presente para que se lembrassem de seu amor por elas durante o exílio, a Perfeita escreveu-lhes uma carta contendo a descrição de si, das borboletas perfeitas e instruções para que encontrassem o caminho do Reino da Perfeição.

A carta ficou extensa e complexa como a perfeição. Por isso, quando a Perfeita estava encerrando sua escrita…