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E o salário, ó!

Por Kleidianne Nogueira. 

E o salário, ó!
Por Kleidianne Nogueira.

Poucas tarefas da maternidade são tão desgastantes quanto orientar o dever de casa. Adicione os seguintes agravantes:
orientar dever de casa de uma criança de 3 anos; que (sabe Deus o porquê) usa livros produzidos para crianças de 6 anos; com outra criança de 1 ano do lado pedindo atenção o tempo todo. A cereja do bolo é uma mãe completamente impaciente com os processos de aprendizagem.
Lembro-me claramente de quão contraditória eu era na infância. "Professora!", eu respondia à famosa pergunta "O que você quer ser quando crescer?". Mas era só um coleguinha apresentar a mínima dificuldade de aprender que eu voava impaciente pra cima dele tentando forçá-lo a entender o que, para mim, era tão óbvio. Desrespeitava a professora, sugerindo que não cumpria seu papel, e ao colega, menosprezando sua dificuldade legítima.
Hoje é preciso muita passiflora pra controlar esse monstro "forçador de aprendizagem".
- Você acabou de fazer a sequência, Luiza! É só repetir!.
- Mas eu não sei!
Com 3 anos ela não deve mesmo saber nem o que significam sequência e repetir, imagina escrever os numerais de 0 a 9 umas  três vezes.
Não faz muito tempo que tomei consciência dá necessidade de controlar esse monstro. Eu dizia "Luiza, olha pra mim.", e ela reagia como se não tivesse ouvido nada. Então eu gritava "Luiza, olha pra mim!" e mesmo assustada com o grito, ela não olhava. Foi aí que me dei conta (pasmem) de que a minha filha de 2 anos não sabia o que significava a ordem "olha pra mim". Respirei fundo, amarrei o monstro junto com o sermão que estava tentando dar antes e fui ensiná-la a olhar pra mim quando eu pedisse.
Em pouco tempo ela aprendeu. Em pouco tempo (ainda na infância), mudei minha resposta de professora para pediatra. Até consegui passar no vestibular de nutrição, mas acabei me formando em comunicação. Hoje sou mãe em tempo integral. Yes! Exerço todas as profissões que almeijei. "E o salário, ó!"👌

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Para que as borboletas viessem a existir de fato, era necessário que a Perfeita cuspisse pequenos casulos temporariamente sobre a Terra Imperfeita. Esses casulos se abriam ao toque suave de uma brisa vinda da própria Lagarta. Como um presente para que se lembrassem de seu amor por elas durante o exílio, a Perfeita escreveu-lhes uma carta contendo a descrição de si, das borboletas perfeitas e instruções para que encontrassem o caminho do Reino da Perfeição.

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