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Não sou tão descolada quanto meu cabelo aparenta.

Por Kleidianne Nogueira


Não sou tão descolada quanto meu cabelo aparenta
Por Kleidianne Nogueira.

Estava deitada no chão quando Luiza (3 anos) sentou-se e começou a pentear meus cabelos. Sonolenta, mas não adormecida, vi quando Igor (1 ano) passou por mim com uma tesoura sem ponta nas mãos. (Sim, deixo tesouras ao alcance deles). Ele passou de volta sem a tesoura e, indiferente ao perigo que corria, ouvi o barulho das lâminas.
- Lulu, você cortou o cabelo da mamãe!!!!
- Cortei! - respondeu com alegria e inocência.
Enquanto passava as mãos pela cabeça procurando o local exato do estrago, me ocorreu uma conversa recente com um terapeuta. Ao responder-lhe que tinha dois filhos retrucou:
- Três é o número correto. Um fica mimado, dois combinam fácil fazer coisas pelas costas dos pais.
Eu ri da explicação dele na hora em que ouvi e ri de novo quando vi meus dois anjinhos maquinando sorrateiramente contra minha cabeleira. Quando voltei da minha viagem pelas lembranças estava explicando pra Luiza:
- A mamãe já ensinou que só pode cortar cabelo atrás e embaixo, mas você cortou na frente e em cima!
- Pois deixa eu cortar atrás agora.
Sim, deixei ela cortar meu cabelo de novo. Cabelo cresce, ela também. Logo ela não vai querer minha companhia como ela quer hoje. E, não, obrigada! Não pretendo ter o terceiro.

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Para que as borboletas viessem a existir de fato, era necessário que a Perfeita cuspisse pequenos casulos temporariamente sobre a Terra Imperfeita. Esses casulos se abriam ao toque suave de uma brisa vinda da própria Lagarta. Como um presente para que se lembrassem de seu amor por elas durante o exílio, a Perfeita escreveu-lhes uma carta contendo a descrição de si, das borboletas perfeitas e instruções para que encontrassem o caminho do Reino da Perfeição.

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