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A mãe que não ama.

Oi, gente boa!

O tema do texto de hoje é muito delicado: a depressão pós-parto e a nossa tendência a julgamentos e condenações. Senti a necessidade de falar sobre esse tema após viver a depressão pós-parto e sentir na pele como é uma condição difícil de viver, de explicar, de conviver... enfim, difícil. 

Como se não bastasse sofrer o próprio transtorno, ouvimos todo tipo de comentário condenatório. Algumas pessoas não sabiam que eu estava em tratamento e falavam sobre outras mães com o mesmo problema de forma muito direta condenando-as.

É preciso falar que esses julgamentos não ajudam de modo algum a mãe que sofre de depressão (muito pelo contrário). Esses julgamentos não ajudam em nada à pessoa que os emite. Então, vamos evitá-los, pois são ao mesmo tempo inúteis e destrutivos.

Um grande abraço bem apertado em todas as mães que não amam. Eu entendo vocês. 


A mãe que não ama.
Por Kledianne Nogueira.

Ah, a mãe que não ama!
Que bicho estranho!
De que planeta ela veio?
Para onde vai eu sei. Todo mundo sabe.
A mãe que não ama vai direto pro inferno.
Como se já não vivesse nele.

São tantos dedos invisíveis apontados pra ela em todo o canto, que ela mesma se aponta. Se esconde. Camufla o desamor com um filtro do Instagram.

Ah, a mãe que não ama!
Que horror! Que falta de coração!
É desculpa esfarrapada.
É preguiça.
É egoísmo.
É invenção da pós modernidade.
É feitiço do demônio.

Ah, a mãe que não ama!
Que grande mal lhe fez o filho? Daqui do calmo mar da sanidade não consigo entender.

Ah! A mãe que não ama é uma criança assustada. Pega ela no colo. Passa remédio e assopra a ferida. Diz que vai ficar tudo bem e segura a mão dela.

Não é de julgamentos que ela precisa. Não é condenando que vamos ensinar a mãe que não ama a amar.

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