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Mostrando postagens de Setembro, 2017

A mãe que se perdeu

Por Kleidianne Nogueira

Mais uma noite de explosões mentais. Mais uma noite de insônia à vista. O mundo particular de Ana foi invadido por civis inocentes que ela não podia combater.
  Pá! Ela imagina a porta batendo e a guerra cessando. Não bate. São civis inocentes. Sai sem rumo. Senta num banco qualquer e lê sobre um tal psicanalista criador do termo "crise de identidade". Não lê muito. Em pouco tempo os olhos apenas deslizam sobre as palavras mas elas não fazem o menor sentido.
  A brisa vem refrescante como há muito tempo não sentia. Não traz a calma, mas traz de volta uma parte da consciência. Então se dá conta de como tudo pulsa e dói. A nuca, o pescoço, o estômago, as veias das pernas, a sola do pé. Pulsa e dói.
  Enquanto toma consciência da própria situação, os olhos permanecem fixos nas palavras. A brisa agora perturba suas narinas com um perfume que a avisa sobre a chegada de alguém. Ela nem sabe dizer se gosta do perfume, mas não gosta da ideia de ter companhia a…