sexta-feira, 21 de setembro de 2018

O que é Iridologia e como surgiu?

O que é Iridologia?

A Iridologia é o estudo da íris através da observação e interpretação dos fenômenos que ocorrem em sua topografia. Os fenômenos podem ser cores, manchas, raios, fissuras e outros sinais, revelando o estado físico e emocional do indivíduo avaliado. A base da Iridologia é o princípio de que cada órgão do corpo humano tem uma área reflexa representativa na íris.

Como surgiu a Iridologia?

A literatura irlandesa mostra que a Iridologia remonta a cerca de 8000 anos a.C, na Mesopotâmia (caldeus, hebreus e egípcios). No continente europeu, PHILIPUS MEYENS foi o primeiro a publicar algo sobre a Iridologia (Dresden, Alemanha - 1670). Mas o verdadeiro iniciador da Iridologia como método científico é o médico húngaro Ignatz von Peczely que lançou sua tese de medicina com enfoque na Iridologia em 1822, na Escola de Medicina de Dresden (que tinha vínculo com a Igreja Anglicana).




Curso de Iridologia - Vamos compartilhar?

Com o intuito de organizar e compartilhar o que tenho aprendido no curso de iridologia que realizo através da UNI - União Nacional dos Iridólogos vou começar a postar aqui resumos, imagens e todo tipo de informação sobre essa ciência que me cativa mais a cada dia.

Todas as fotografias publicadas são de minha autoria. Quando não, indico a fonte na legenda.




segunda-feira, 26 de março de 2018

O Reino das Borboletas Perfeitas


Por Kleidianne Nogueira

Era uma vez, e ainda é, um reino chamado Perfeição, lar da Perfeita, lagarta que tudo cria. A Perfeita era preenchida por um amor perfeito e infinito. Em determinada era, a Lagarta quis dividir esse amor que a preenchia com seres diferentes dela. Assim surgiram as borboletas. Belas, delicadas, capazes de voar livremente, mas atormentadas por um desejo insaciável de serem perfeitas como a Perfeita é.

Para que as borboletas viessem a existir de fato, era necessário que a Perfeita cuspisse pequenos casulos temporariamente sobre a Terra Imperfeita. Esses casulos se abriam ao toque suave de uma brisa vinda da própria Lagarta. Como um presente para que se lembrassem de seu amor por elas durante o exílio, a Perfeita escreveu-lhes uma carta contendo a descrição de si, das borboletas perfeitas e instruções para que encontrassem o caminho do Reino da Perfeição.

A carta ficou extensa e complexa como a perfeição. Por isso, quando a Perfeita estava encerrando sua escrita, fez um resumo mais simples e direto sobre as instruções do caminho: encontrem o Caminho e sigam nele. Com um olho, olhem para o Caminho e com o outro olhem umas para as outras. Assim, quando chegar o Dia em que a Brisa suave soprará sobre o Caminho, nenhuma de vocês se perderá e eu as receberei no Reino da Perfeição.

As primeiras borboletas a saírem do casulo ficaram maravilhadas com as perfeições descritas na Grande Carta. À medida que outras iam saindo, elas tratavam de transmitir o que tinha aprendido e todas se alegravam com a expectativa de conhecer a Perfeita.

Apesar da complexidade da Grande Carta, logo as borboletas encontraram o Caminho e se reuniram sobre ele, levando os casulos que ainda não estavam abertos. Quando atenderam à instrução de fixar um olho no Caminho e outro numa borboleta, a confusão começou.

- Dona Borboleta, notei que suas asas não são azuis como descreve a Grande Carta. Me incomoda estar perto de tal imperfeição. Você poderia fazer algo a respeito?

- Claro que sim! Vou procurar instruções na Grande Carta... Aqui diz que devemos fixar um olho no Caminho e outro numa irmã. Assim, quando a Brisa passar sobre o Caminho, limpará nossas imperfeições e nos fará perfeitos somente no Reino da Perfeição.

- Sendo assim, trocarem de lugar. Procurarei uma borboleta menos imperfeita para fixar os olhos.

- Venha para cá! Você tem um canto da asa esquerda quebrado como nós. A Grande Carta quase nem menciona o nosso defeito. Saia de perto dessa borboleta tão imperfeita!

Ao ouvir essas palavras, a borboleta de asas coloridas desejou profundamente ter asas azuis como a Grande Carta descrevia. Ou pelo menos um cantinho de asa quebrada pra não ser rejeitada daquele jeito. Então ela tratou de se juntar a um grupo de borboletas bem parecidas com ela.

- Não podemos ser humilhadas assim por sermos imperfeitas. No fundo, nosso coração é bom e é isso que importa para a Perfeita.

- Não fiquem tristes, borboletas. Nosso grupo percebeu que vocês desejam ardentemente asas azuis. Nós sabemos costurar capas para suas asas. Podemos vendê-las e vocês ficaram tão azuis quanto as borboletas descritas na Grande Carta.

A poucos metros dali, algumas borboletas de belas asas azuis e inteiras tinham os pés muito grandes e pesados, diferentes dos delicados pés descritos na Grande Carta. Esses pés pesavam tanto que elas não conseguiam voar na mesma altura que as demais borboletas.

- Amigas, estudando a Grande Carta, percebi que a Perfeita não voa. Na verdade, nem asas ela tem. Eu proponho que a partir de hoje cortemos as asas umas das outras e permaneçamos no chão.

E assim por diante, muitos grupos se formaram e todos buscavam argumentos na Grande Carta para se justificar. Cada grupo arrastou para si uma porção de casulos ainda fechados e determinou o futuro das borboletas que sairiam deles de acordo com suas regras.

Assim, seguiram-se inúmeras eras de mutilações em prol de um grupo específico estabelecido sobre o caminho. Não faltavam acusações de um grupo para o outro e disputas para saber quem se aproximava mais da perfeição descrita na Grande Carta.
 
Até que no tempo oportuno, as borboletas começaram a resistir às mutilações e disputas. Algumas fugiam assim que eram mutiladas, ou antes disso acontecer. Elas memorizavam o final da Grande Carta e escapavam do domínio dos grupos. Vindas de todas as partes, borboletas de todas as cores e formatos postavam-se lado a lado sobre o Caminho. Elas enfrentavam dia após dia a difícil tarefa de enxergar e suportar os defeitos umas das outras, ouvindo as críticas que vinham dos grupos.

A dor era tão grande que começaram a chorar. Derramaram tantas lágrimas que um imenso lago se formou sob elas e foi transbordando até atingir a região dos grupos. As lágrimas formaram um espelho d'água sobre o qual as convicções dos grupos começaram a se desmanchar.
É que mesmo que as borboletas se mutilassem para caber em grupos perfeitos, carregavam defeitos que elas só conseguiram enxergar olhando-se profundamente no espelho. Defeitos que não tem cor, nem forma, mas que deformam a alma e desviam as borboletas do propósito para o qual foram criadas.

Subitamente, todas as borboletas choravam diante da miséria entranhada em suas convicções separatistas. Uma a uma foram se colocando como mandava a Grande Carta. Um olho no Caminho, um olho em uma irmã.

Então a magia aconteceu. Ouviu-se o burburinho da Brisa prometida e ela veio espirrando sobre o lago de lágrimas. A Brisa foi ficando mais forte e levou o lago sobre as borboletas, lavando toda a imperfeição por onde passava.


Quando a Brisa cessou e o lago secou, a borboletas puderam ver de perto a desejada Perfeita e entenderam que o Reino da Perfeição não é outro senão o lugar em que a Perfeita está.

Argumentos infantis

Por Kleidianne Nogueira

Não que eu discorde de que mães corujas sejam fontes questionáveis para se obter informações sobre a capacidade intelectual das próprias crias, mas vocês tem que acreditar quando falo que a capacidade argumentativa da Luiza é fogo (pra não usar um palavrão). Confesso que, liderar crianças tão expontaneas tem sido um desafio surpreendente e enriquecedor.

Na primeira ocasião em que fui marcada pela argumentação persuasiva da minha filha, Luiza tinha apenas 2 anos e meio e estávamos a caminho da apresentação de Natal da creche numa noite quente de dezembro. Informada previamente pelas tias de que haveria venda de lanches no local e induzida a pedir que os pais comprassem, ela falou que queria bolo quando chegasse lá. Na época ela fazia dieta restritiva para leite e ovos, então minha resposta foi não. Ela simplesmente fechou os olhos, uniu as mãozinhas em frente do seu corpo e fez a seguinte oração:

- Papai do Céu, quero bolo. Em nome de Jesus, amém!

Quem duvida de que ela usou seus profundos conhecimentos sobre a minha personalidade para me influenciar com esta oração tão simples e tão específica? Se ela continuasse me pedindo o bolo, se chorasse, ou se dissesse que só um pedaço não iria fazer mal eu conseguiria facilmente rebatê-la. Mas orar? Pedir ao Papai do Céu em nome de Jesus? O que ela fez foi colocar em cheque tudo o que eu tentava incutir nela sobre fé e confiança em Deus. Se depois da oração, eu ainda negasse um mísero pedaço de bolo por medo de provocar alergia eu estaria demonstrando quão hipócrita era a minha ladainha sobre fé.

E como eu teimo em lhe oferecer uma educação com bases cristãs, Luiza vive usando as minhas expressões religiosas contra mim em sua argumentação. A que mais desestabilizou o bom andamento do sermão que eu pretendia realizar aconteceu num daqueles dias em que a criança está a todo vapor e a mãe só queria férias.

- Filha, por que você faz isso? Por que desobedece a mamãe e faz coisas erradas?

- Porque Deus me fez assim!

A resposta veio de um semblante tão inocente que eu esqueci completamente o que ia falar a seguir. Eu poderia ter desenvolvido o tema da criação, a queda do homem e o plano de Deus para a restauração do nosso caráter. Essas viagens teológicas que nós cristãos amamos repetir como se fossem ideias simples de serem entendidas. Mas eu só consegui rir desconcertada e abraçá-la oferecendo o meu perdão e a minha admiração.

Em outras ocasiões, a argumentação foge completamente do óbvio, embora enquadre-se no lógico. Como quando a convidei para uma caminhada num horário de pico do nosso já rude sol teresinense. A resposta dela foi que não poderia ir andando comigo pois o espírito santo dela morreria. Como discordar? Santa ou não, haviam chances reais daquela criança branquela desencarnar sob o céu ameaçador do B-R-O-BRO. Segui o meu caminho sozinha.

Deixando o campo religioso sem esgotá-lo, Luiza também aprecia argumentar em outras línguas (não as estranhas). Inglês principalmente. Yes, minha filha de 4 anos vive tentando me passar a perna em inglês. Geralmente, ela tira o foco dos próprios erros ao falar a nossa língua transformando-os em expressões da língua estrangeira.

- Mamãe, eu quero lembí a colher do mel.
- Tá bom, mas o correto é falar lamber.
- Pois eu quero lamber a colher do mel.
Depois de usar o mel eu esqueço do pedido dela e lavo a colher.
- Mamãe, eu disse que eu queria lembí!
- Desculpa, esqueci. E é lamber, você também esqueceu.
- Esqueci não é porque lembí é em inglês.

Será se terei muito trabalho pela frente pra conseguir argumentos à altura dessa pequena?

Cordel da Psicologia

Cordel escrito com muito carinho para a página da querida amiga e psicóloga, Jesanni Viana.

Por Kleidianne Nogueira

Em tempos de correria
De estresse e competição
Vem a psicologia
Segurar a nossa mão.

Ela não resolve tudo
Mas aponta um caminho
Com um psicólogo astuto
Reflito, organizo e luto
Bem melhor que andar sozinho.

Antes de seguir o cordel
Quero me apresentar
Não estou aqui ao léu
O que quero é te ajudar

Jesanni é o meu nome
Meu sobrenome é Psicologia
Humanista até o tutano
Acredito que o ser humano
Tem em sim tudo o que precisa

Meu papel é te guiar
Pela estrada para dentro
Se você se entregar
Mais eficaz é o tratamento

O terapeuta humanista
Vê o ser humano inteiro
É profundo analista
Persegue tudo que é pista
Mas sabe que toda conquista
Depende do próprio sujeito

Deixo aqui o meu recado
Para quem está a sofrer
Deixe-se ser ajudado
Não adie esse cuidado
Psicólogo é preparado
Pra cuidar bem de você.

A lenda do parque - Parte 6


Fonte: pexelP


Por Kleidianne Nogueira

Quando terminei de tomar banho, tentei lançar a minha magia colorida mais uma vez, mas nada aconteceu. Entrei em casa e vi os meninos chorando, pedindo desculpa pra mamãe e prometendo que não iam mais fazer “isso”. Olhei pras minhas mãos e pensei “não vamos mesmo”. Até que ouvi a pior notícia que poderia ter ouvido naquele momento.

- Vão jantar e dormir! Se tivessem comportamento de gente iam pro parque hoje com a tia Aurora, mas viraram bicho! Uns cavalões desse tamanho…

  Os meninos me olharam pedindo socorro, um plano novo ou pelo menos uma explicação sobre o que a gente tinha vivido naquela tarde. Não pude oferecer nenhuma das opções. Entrei no quarto que dividia com tia Aurora e não saí nem para o jantar. Nunca mais mencionamos aquela aventura. Preferimos fingir que não aconteceu e esconder nossas dúvidas quanto à própria sanidade.

  Em poucos dias, fomos para a casa de nossa avó para celebrar o Natal. O principal assunto dos primos era o parque e como eles se divertiram lá. Quando a minha prima Sandra perguntou de qual brinquedo eu gostei mais, não perdi a oportunidade.

- De nenhum. Eu não piso mais naquele parque. Ouvi dizer que lá trabalhava uma mulher vendendo algodão doce que foi atropelada em outra cidade e morreu. Depois disso, se alguém que entrar no parque em qualquer cidade, fechar os olhos e disser três vezes “mulher do algodão doce”, o espírito dela vai à noite nas casas de todas as pessoas que estavam no parque naquele momento. Ela entra na cozinha, começa a abrir as gavetas e jogar os talheres no chão. Ela puxa a descarga do banheiro e fica abrindo e fechando as portas dos quartos. Eu é que não quero correr o risco de estar no parque bem na hora que algum corajoso chamar a mulher do algodão doce…

  Todos os primos pararam pra ouvir a história, principalmente os menores. Meus irmãos disfarçavam o riso com a cabeça baixa e a Sandra ficou toda desconcertada. 
Mas como eu já expliquei, essa fase de inventar histórias fantasiosas ficou no passado. Agora só conto verdades.

A lenda do parque - Parte 5

Fonte: Pexels



Por Kleidianne Nogueira

- Ai, meu Deus! Olha isso!

  Das nossas mãos saíam feixes de luz e brilho colorido como nos desenhos animados. Da cor que era o algodão doce que cada um havia comido eram também as explosões de magia que saíam das nossas mãos. E nós ficamos abrindo e fechando as mãos algum tempo sem acreditar no que estava acontecendo.

- Uau! Que legal!

- Olha lá, o meu vai mais longe!

- E o meu tem mais brilho!

- Vamos jogar em cima das galinhas!

  Elas não tiveram mais sossego naquela tarde. Corríamos atrás delas apontando as palmas das mãos e enchendo o galinheiro de brilho e cores. Enquanto corria, esbarrei no Lucas e percebi que a roupa dele estava tão colorida quanto a estranha que havia nos presenteado com aquela mágica. Só então olhei para a minha própria roupa e me vi uma miniatura da mulher colorida. Voltei a correr atrás das galinhas e vi o Felipe saindo do galinheiro com o Lucas.

- Olha, Lucas! Vou pintar o pé de caju de amarelo!

- Eu vou pintar a pia de azul!

  Pintamos praticamente toda a parte do quintal que ficava mais afastada da casa. Ficamos nessa brincadeira colorida até anoitecer. Foi a tarde mais divertida da minha vida e, creio, dos meus irmãos também. Como a fome bateu, entramos correndo na cozinha e a mamãe começou a gritar.

- Eu não tô acreditando! Podem passar direto pro banheiro vocês três. E você, dona Luiza, espere aí no quintal até eles terminarem. Que imundície é essa?! Parece que jogaram terra uns nos outros. Só o que faltava vocês fazerem isso depois de grandes. Olha o jeito que deixaram o chão da casa! Quando terminar vão lavar o banheiro! Credo!

  O que eu consegui entender naquela hora foi que mamãe não podia ver as cores do nosso poder mágico. Tia Aurora também não, pois ela veio me ajudar a improvisar um abrigo no quintal pra tomar logo banho com a mangueira e reclamou tanto quanto a mamãe.

- Luiza, você já é uma moça. Que arrumação foi essa? Por causa desse vacilo de vocês tua mãe tá ali dentro com teu pai desarranjando o que eu levei uma semana inteira pra arranjar. Olha a situação dessa roupa, criatura, só o barro! Não limpa nunca mais! Nem a de teus irmãos. E esse cabelo?

A lenda do parque - Parte 4


Fonte: Pexels


Por Kleidianne Nogueira

Como o quintal tinha apenas uma cerca, passamos por ela e chegamos aos fundos sem entrar em casa e levantar questionamentos sobre a origem daquele algodão doce. Intuindo o que iria acontecer e completamente envolvidos pelas palavras da mulher colorida, nos sentamos em círculo no chão do galinheiro. Coloquei o papel no centro com uma pedra sobre ele.

  Abrimos os saquinhos em silêncio e começamos a comer devagar. A gente se olhava imaginando mil desfechos para aquele momento. O silêncio só era quebrado quando alguma galinha vinha pra cima da gente e era preciso expulsar. Até que ouvi a primeira gargalhada.

- Ha, ha, ha… isso faz cócegas!

- Isso o que, Igor?

- O algodão doce... ha, ha, ha, ha…. Está fazendo cócegas por dentro…

  Depois foi a vez do Felipe, e em seguida o Lucas. Quanto mais comiam, mais sorriam.

- Eu não estou sentindo cócegas nenhuma. Sem cócegas… ai, não! Minha barriga tá coçando. Coçando muito!

- Parece que a Maria das Alergias tem alergia a algodão doce mágico… ha, ha, ha, ha…

  Eu não sei o que me incomodou mais. Aquela coceira inédita dentro da barriga, as gargalhadas sem graça dos meus irmãos, ter sido chamada pelo apelido pejorativo de Maria das Alergias ou tomar consciência do que começava a parecer óbvio. O algodão doce era mágico. 
Engoli às pressas os últimos pedaços e constatei que não havia ingresso algum. No saquinho dos meninos também não.

- Vai, Luiza! Pega o papel e lê!

  Senti o coração saindo pela boca e tive calafrios. Os meninos não insistiram. Talvez com tanto medo quanto eu. Tirei a pedra e peguei o papel. Olhei uma última vez para os meus irmãos, esperando que algum deles dissesse para jogar o papel fora e a gente fosse correndo se acalmar na barra da saia da mamãe. Mas isso não aconteceu. Também não me encorajaram mais. Era como se jogassem toda a responsabilidade do que viria a seguir sobre mim.

- Eu quero um parque só pra mim. É o que tá escrito aqui.

- Beleza. E é pra falar quantas vezes?

- Três. De olhos fechados e mãos dadas.

- Então vamos! - liderou Lucas - um, dois, três e já!

- Eu quero um parque só pra mim. Eu quero um parque só pra mim. Eu quero um parque só pra mim.

  Me contraí toda esperando sei lá o que acontecer e nada aconteceu. Abri os olhos devagar e comecei a sentir uma coceira nas mãos. A aventura havia começado.

A lenda do parque - Parte 3


Fonte: Pexels

Por Kleidianne Nogueira

Fomos até a bilheteria depois do lanche e a encontramos fechada. Não avistamos nenhum funcionário do parque por perto e precisávamos do valor exato dos ingressos para não correr o risco de ficar alguém de fora da diversão. Se deixássemos para ver o valor à noite e voltássemos em casa para pedir o dinheiro, corríamos o risco de sermos pegos pelo papai nesse entra e sai. Ele ia cismar.

- Que raio de parque fraco! Não tem nem uma placa com o preço dos ingressos!

- Que raio de fã de parque fraca! Quatro anos espiando os brinquedos e nunca perguntou quanto custa…

  Ouvi os três caçoando de mim e retruquei.

- Deixa de ser tonto, Felipe! Lógico que eu sei! É que todo ano eles mudam o preço… quero só confirmar.

- Sei…

  Continuaram sorrindo e eu já ia para cima deles alegar que se não parassem de caçoar, eu ia acabar com o plano e ninguém ia brincar no bate-bate. 
  De furiosa passei a assustada quando uma mulher entrou de supetão bem na minha frente com a roupa mais colorida do que qualquer coisa colorida que exista no universo. Nunca vi tantas cores numa única roupa. E tinha pulseiras barulhentas também. Muitas e coloridas. 

- Olá, crianças! O que vocês estão procurando?

Como ainda não havia me recuperado do susto, Lucas respondeu:

- A gente quer saber quanto é o ingresso do bate-bate.

- Ah, que pena! Não posso ajudar vocês. Eu também não sei os preços dos ingressos.

- Mas você não trabalha aqui? - questionei.

- Sim. Quer dizer, não. Ou melhor, só hoje. A propósito, estou aqui vendendo algodão doce a pedido do dono do parque. Ia agora mesmo começar a andar pela cidade oferecendo esses saquinhos de algodão doce. Em alguns deles há ingressos premiados que permitem ao ganhador usar todos os brinquedos do parque esta noite. Todos! Vocês não querem comprar? Esses aqui eu sei o preço, ha, ha, ha…

  Igor me puxou pela blusa e começou a pedir para comprar o algodão doce.

- Eu vou correndo na casa da vó pedir o dinheiro pra tia Aurora. Se eu falar que é pra comprar algodão doce ela dá na hora.

- É isso! E se a gente ganhar os ingressos hoje a gente vai em todos os…

- Falou certo, Lucas. Se… e se a gente não ganhar? Aí já era bate-bate. A tia não vai dar dinheiro de novo.

- Com licença, crianças. É que estou um pouco apressada e percebi que não podem pagar pelo algodão doce. Como estou muito alegre de ter encontrado este trabalho hoje, que tal se eu desse um pra cada um? Seria a minha comemoração.

- Eba! - comemoramos dando pulinhos de alegria e ignorando completamente os conselhos dos mais velhos de não receber nada de estranhos. Principalmente coisas de comer. E de uma estranha muito estranha.

- Mas tem uma condição! - e foi falando enquanto entregava os saquinhos - não abram agora e não comam com pressa. Sei que vocês vieram daquela casa branca na esquina, com um quintal enorme, cheio de árvores e galinhas. Quero que vocês fiquem juntos no quintal e abram os saquinhos lá. Não procurem logo o ingresso. Comam o algodão doce devagarinho. Pedacinho por pedacinho. Se acharem o ingresso, voltem à noite e divirtam-se. Podem até dividir a entrada se nem todos encontrarem. Eu falo com o dono. Mas se não acharem nenhum ingresso, quero que sentem-se no chão em círculo com as mãos dadas. Depois abram esse papel que está dobrado e digam o que está escrito nele em voz alta três vezes. Combinado?

  Olhei para os meninos que pareciam tão perdidos quanto eu. Segurei o saquinho de algodão doce e fitei aquele amontoado de cores na minha frente. Notei que só havia ficado um saquinho com ela, embora tivesse dito que iria começar as vendas naquele momento. Que tipo de pessoa doa a mercadoria do patrão no primeiro dia de trabalho? E para crianças que ela nem conhecia? Ela me entregou o papel dobrado, abaixou-se até que seus olhos ficaram emparelhados com os meus e falou:

- Vou deixar o papel com a criança mais honesta de todas. Assim não corremos o risco de acontecer algo errado caso o papel seja aberto antes da hora.

- E o que pode acontecer?

- Nascer verrugas nas palmas das mãos! Não, não! Nos olhos... - e ficou revirando os próprios olhos na frente do Igor - Ou será que nasce um pé de coco na sua cabeça? - passando a mão sobre o Lucas - Ah! Já sei! - e colocou a mão sobre a boca do Felipe - Você fica mudo para o resto da vida! - fixou-se novamente em mim e encerrou: Não lembro direito! Espero que não tentem descobrir. Tenho que ir. Até a noite, sortudos!

  Ela se virou, abriu o último saquinho e foi embora comendo o algodão doce. A essa altura estávamos muito eufóricos com a performance da estranha. Eu sentia medo e ímpeto de embarcar naquela aventura com a mesma intensidade. Fui a primeira a sair correndo e os outros vieram logo atrás. 

A lenda do parque - Parte 2

Fonte: pexels



Por Kleidianne Nogueira

- É o seguinte, esse ano o parque não vai embora antes da gente entrar naquele bate-bate.

-Tá louca, é, Luiza? Tu não tem medo de choque, não?

- Eu inventei aquela história de choque, Lucas! Não tem perigo.

- E o pai vai mesmo levar a gente?

- Felipe, nem que ele gostasse de parque ele ia sair de casa à noite. Ele não vai trocar o rádio pelo parque. A gente vai usar o Igor…

- Eu?! - ele arregalou os olhos sem entender.

- A tia Aurora te adora e faz tudo por você.

- Verdade, Luiza. O Igor é o bebezinho da tia Aurora. Vive ganhando presente, cheirinho… beijinho na cabeça…

- Para, Lucas! Sai pra lá!

- Parem os dois! Nós vamos fazer assim: antes do jantar a gente vai lá na bilheteria confirmar o preço do ingresso pro bate-bate.Depois do jantar, o Igor vai lá na tia Aurora pedir moedas. Sendo na hora da novela, ela não vai perder tempo perguntando pra que é. Vai dizer onde a lata das moedas está escondida dessa vez e vai dizer pra ele ir lá pegar. Eu vou com o Igor e a gente pega o suficiente pra cada um ir uma vez no bate-bate.

  Eu estava muito orgulhosa de mim mesma por traçar esse plano nos mínimos detalhes, inclusive prevendo a reação da tia Aurora. Os três concordaram comigo e eu comecei a colocar o plano em prática. 

A Lenda do Parque - Parte 1

Fonte: pexels



Por Kleidianne Nogueira

No ano de 1986 conhecemos o programa matinal da Xuxa na Globo e ficamos fascinados com as paquitas. Foi nesse ano também que ocorreram as explosões de Chernobyl e do Challenger. Mas os acontecimentos que continuam vivos na minha memória depois de 60 anos ocorreram numa pacata cidade do interior do nordeste.

  Todos os anos, no mês de dezembro, um parque de diversões chamado Algodão Doce instalava-se em frente à nossa casa, no espaço aberto pela prefeitura para uma futura praça. Eu e meus três irmãos sempre pedíamos ao nosso pai para levar a gente no parque e usar os brinquedos. A promessa era sempre a mesma:

- Antes do parque ir embora eu levo vocês lá. Me lembrem.

  Não adiantava nada lembrar. Era aquele tipo de promessa que alguns pais fazem só para calar os pedidos dos filhos e ganhar tempo. Ouvi a mesma promessa desde os meus seis anos e só conhecia o parque por dentro porque naquele tempo era comum crianças andarem pelas redondezas sem a companhia de um adulto. Mesmo à noite. A verdade é que vivíamos com o básico e nosso pai não queria que nos envolvêssemos com nada além de trabalho e estudo.

- Parque não ensina nada que preste! - foi o que ele disse ao nosso tio que ficou certa vez em nossa casa esperando os filhos brincarem com a mãe no parque.

  Eu já estava com dez anos, meu irmão Lucas com nove, Felipe com oito e Igor com sete. Quando terminava o jantar, a gente ajudava a mamãe e a tia Aurora a deixar a cozinha em ordem. Depois, íamos escapando aos poucos. Elas sentavam para assistir a novela e nós íamos brincar na calçada. Quando o papai ia cochilar no quarto com o radinho de pilha sobre a barriga, nós íamos nos afastando até ganhar a rua. A gente entrava no parque e ficava um bom tempo acompanhando a movimentação. Até que a novela acabava e a mamãe ia procurar a gente antes do papai perceber o nosso destino. 

  Nós sabíamos os nomes de todos os brinquedos e as sensações que eles provocavam - descritas por nossos amigos. Quando algum deles se empolgava no relato positivo da experiência no brinquedo, eu dava um jeito de contar algum causo absurdo para tentar não ficar tão por baixo.

- Ei, Júlia, como foi no bate-bate?

- Chocante, Luíza. Amei fingir que estava dirigindo um carro de verdade. Foi muito divertido! Eu fiquei batendo no carro da Ana Clara o tempo todo e ela vinha na maior velocidade atrás de mim depois. Acho que vamos de novo…

- Pena que é perigoso, né? Ontem uma menina quebrou o pescoço depois de uma dessas batidas com a amiga. Daí o pai dela foi tentar tirar ela do carro e tomou um choque tão grande que ficou jogado no chão. Bem alí, ó, naquele canto que você tava com a Ana Clara. A menina teve que sair sozinha do carro com o pescoço quebrado pra ajudar o pai. Ave Maria, ela chorou tanto!

  Eu queria impressionar e não fazia ideia de quão absurdas eram as minhas histórias. O pior é que vez ou outra eu ouvia na escola alguém repetindo elas com um ’ouvi dizer que’ na introdução. Isso só me fazia inventar cada vez mais fantasias, hábito que me acompanhou até o início da vida adulta, quando o abandonei completamente.

  No último dia da temporada do parque na cidade, sempre havia um carro de som avisando a população desde cedo da manhã. Cansada de ser a única da turma que nunca desfrutou das emoções do parque, reuni meus irmãos e tracei um plano para que nós quatro tivéssemos a oportunidade de ir em pelo menos um dos brinquedos.

A dama dos cadeados - Parte 4

Fonte: pexels


Por Kleidianne Nogueira

Não havia namorado virtual. Ela não sabia porque tinha inventado aquilo e também não entendia o porquê do estômago embrulhado se por tanto tempo ela desejou que aquela cena com o Saulo acontecesse.

  Íris decidiu não ir trabalhar e ligou para explicar que estava indisposta. Passou a manhã inteira sozinha com os próprios pensamentos e enfim entendeu suas reações adolescentes. No fundo ela sabia que com Saulo não seria apenas um namoro, afinal, ela já os considerava um tipo de namorados. Ela sabia que estava diante de um daqueles momentos únicos da vida em que a pessoa tem que tomar uma decisão cujas consequências irão acompanhá-la até os últimos dias. Voltou pra casa ainda indecisa com relação a Saulo, mas decidida quanto ao revestimento do sofá.

- Você vai voltar hoje pra estofaria, colega!

  À noite, Saulo encontrou a porta entreaberta e ao espiar pela brecha viu a sala vazia. Procurou indícios dos cadeados e não encontrou nenhum rastro. Empurrou a porta e começou a chamar pela amiga, que logo surgiu com um semblante que não lhe dava margem para desvendar o enigma iniciado naquela manhã. Os dois ficaram um instante em silêncio até que Íris pediu que ele entrasse e fechasse a porta. Ela entregou o próprio celular a Saulo.

- Pode procurar. Não há nenhum namorado. Foi um blefe adolescente.

- Não faz mais diferença. Você já sabe o que eu sinto e eu sei o que você sente. Resta saber o que decidimos fazer com esse sentimento.

- Nada.

Saulo permaneceu em silêncio.

- A gente não vai fazer nada com esse sentimento. Nós vamos continuar como antes: vivendo ele, dando um passo de cada vez...

- Fiquei confuso agora.

Os dois se aproximaram e as últimas palavras de Íris foram ditas quase sobre a pele de Saulo.

- Não tem confusão. Nós somos agora o que já éramos há meses. Faltam apenas alguns detalhes, alguns ajustes…

  E os lábios de Saulo silenciaram os de Íris por alguns instantes. Os dois sorriram com a boca, com os olhos, com a alma. Aparentemente não estavam mais perdidos em si mesmos, mas um no outro. Saulo foi o primeiro a devolver os pés ao chão e retomou o assunto relacionado a Íris que ele mais apreciava.

- Agora você precisa me explicar essas outras novidades. A dama dos cadeados está sem cadeados?

- Estava demorando!

- E aquele pobre sofá de veludo? Fugiu do destino cruel que o aguardava?

- Ai que engraçadinho!

- Sério. O que está acontecendo aqui?

- Cansei de viver com medo! Medo de alguém entrar no apartamento. Medo de manchar o sofá. Medo de namorar o melhor amigo…

  Saulo riu das novidades. Tentou de todas as formas fazer uma das piadas irritantes que ele costumava fazer mas não conseguiu. Contentou-se em perguntar novamente sobre o destino do sofá.

- Eu liguei pro rapaz da estofaria e ofereci o sofá por um precinho camarada pra ele vir buscar ainda hoje.

- E vai ficar sem sofá?

- Por um tempo.

- E onde eu vou sentar?

- Que tal no seu sofá?

- Ah, a gente já vai saltar do namoro pra morar junto? Já está pedindo pra eu trazer meus móveis?

- Lógico que não! Quem vai querer morar com um piadista inconveniente?

- Morar eu não sei, mas namorar você aceitou.

  Íris virou-se e foi se refugiar com o próprio constrangimento na cozinha.

- Deve haver uma forma de reverter essa burrice que cometi! – E sorriu faceira. – Deve sim!

A dama dos cadeados - Parte 3

Fonte: Pexels


Por Kleidianne Nogueira

Saulo não correu na noite anterior para se desculpar pelas ironias, mas certamente estava arrependido. Foi o que pensou Iris quando saía para o primeiro turno de trabalho. Ela se deparou com um livro e um envelope no chão em frente à porta de seu apartamento.

  O livro que agora tinha nas mãos era exatamente o mesmo que havia devolvido à estante ao se irritar com Saulo. Pegou o livro, começou a abrir o envelope e a conversar sozinha, como de costume.

- Fui tão grosseira com ele. Que vergonha! Ele é um bom homem. Só preciso entender que ele tem um jeito meio diferente de brincar comigo...

  E Iris já ia começando a se arrepender do que estava falando quando o viu surgir, descendo as escadas.

- Bom dia, Iris!

- Pra ver se eu me ocupo um pouco menos com a internet? Foi pra isso que você me deu este livro? – Franziu a testa e ergueu a sobrancelha com o livro em uma mão e o bilhete em outra.

- Eu só tenho um jeito diferente de brincar com você... – deu-lhe um beijo na testa, arrumou seus cabelos e a olhou tranquilamente – Eu sou um bom homem, Íris!

  Ela se calou. Sentia tanta raiva que preferiu não falar mais nada. Ao mesmo tempo achou graça no modo como Saulo usou suas próprias palavras para desarmá-la. Ia começando a trancar os cadeados quando Saulo pediu que entrassem e conversassem um pouco.

- Sinto muito, Íris. Eu sei que estou exagerando nas minhas brincadeiras. Mas é que já tem uns dias que eu preciso te falar algo que está me inquietando e isso foi me deixando nervoso...

  Íris percebeu o rumo que a conversa estava tomando e começou a avaliar os próprios sentimentos em relação a Saulo. Ele continuou falando, pegou as mãos dela e ficou olhando fixamente em seus olhos. Ela não sabia para onde deslocar o olhar. Soltou uma das mãos e conseguiu abraçar o livro que acabou de ganhar, tentando disfarçar o mal estar.
 Ele percebeu que estava sendo inconveniente e afastou-se alguns passos. 

- Você não tem nada pra me dizer, Íris?

-Adianta agora assumir o meu namoro pela internet? Acho que eu me irritava tanto com suas brincadeiras por saber que você estava falando a verdade.

- Estava muito evidente.

- Então, por que, mesmo sabendo que eu tenho namorado, você decidiu se declarar agora? Eu percebi que existia algo mais que amizade entre nós há meses e estive sozinha a maior parte desse tempo. Por que logo agora, Saulo?

- Eu sinto muito, Íris. Confesso que eu sou orgulhoso, arrogante. Achava que você estaria sempre aqui do lado esperando. Que a nossa amizade ia bastar pra você.

- E ela basta, Saulo. A gente não precisa estragar uma amizade tão bacana.

- Você logo vai perceber que não basta! Que homem na face da Terra vai aceitar que a namorada tenha tanta intimidade com outro homem?

- Eu não quero terminar essa conversa agora. A gente vai se atrasar pro trabalho. Você precisa me dar um tempo pra entender o que você está fazendo.

- Tudo bem.

  E lá estavam os dois mais uma vez adiando indefinidamente a conclusão de uma conversa. 

A dama dos cadeados - Parte 2

  
Fonte: Pexels

Por Kleidianne Nogueira

A moça dos cadeados era Íris, nome que agradava ao excêntrico amigo Saulo. Simples, de uma vogal só. Aos 31 anos, solteira e virgem, o que afetava mais os dias tediosos da professora era a tal estabilidade econômica que, em três décadas de existência, não conseguira alcançar.
  Filha única, Iris nunca sonhou com os ideais feministas de se tornar uma mulher independente, com uma carreira brilhante e uma bela conta bancária. Na verdade, se preocupava apenas em viver. Achava que não tinha sonhos. Somente descobria possuí-los quando os via realizados. Já não eram sonhos.

  Formou-se em Letras e dava aulas de redação nos escolas mais requisitadas da cidade. Apesar do bom salário e de ser sozinha, o dinheiro não era suficiente para dar a ela a segurança de que precisava para finalmente investir no projeto da casa própria. Assim, conseguiu uma vaga de colunista em um site local para complementar a renda e talvez arriscar um financiamento. Não receberia grandes quantias, mas o fato de não ter que comparecer ao local de trabalho em horários programados a agradou.

  No site conheceu Saulo, o jornalista. Um profissional brilhante e um homem de beleza comedida. Embora fossem vizinhos, nunca haviam trocado sequer um bom dia antes da chegada de Íris à empresa. A amizade que surgiu desse contato profissional uniu dois balzaquianos extremamente perdidos em si mesmos.
  No caminho para a livraria, Saulo garantiu a Íris que ela iria se apaixonar.

- Você nunca entrou em uma livraria parecida com esta! Tenho certeza que é a sua cara! Pra ficar perfeito só faltava ter cadeados na decoração...


  Ela riu da piada quase a contragosto. A livraria era realmente tudo aquilo que Saulo havia dito. Não era muito grande, mas àquela hora da noite não fazia tanta diferença. Parecia a sala de uma casa, com livros em estantes de parede, sobre mesinhas de canto, debaixo de abajures e enfileirados sobre os degraus de uma escada que levava a lugar nenhum. Uma incrível e agradável desorganização enchia os olhos de Íris que foi passando os olhos e os dedos pelos livros da escada.


- Você precisa ver lá nos fundos - Ele subiu no degrau em que ela estava. - Eles tem vários computadores com Internet. Quem sabe você queira namorar um pouco mais - Sorriu com aquele ar de quem está comprando uma briga.


- Obrigada! Acho que vou fazer isso mesmo já que a sua companhia não está tão agradável assim hoje.


  O sorriso maquiavélico dele não se desfez. - Se quiser eu te levo até lá.


  Ela devolveu o livro que estava em suas mãos à escada e deixou a livraria sem nem mais uma palavra. Não entendia o porquê daquela implicância. Se a convidou para sair e havia sido tão cordial no caminho, por que mudara de humor tão repentinamente. Já haviam discutido por causa do mesmo assunto antes.


- Era só o que me faltava! Passar por ceninha de ciúmes numa livraria. Ele que venha me pedir desculpas depois. Não sei para que me trouxe aqui - E olhou para trás na esperança de vê-lo correndo para se desculpar - Mas ele tinha razão sobre a livraria.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Te agradecer

Por Kleidianne Nogueira



Óh, vem fazer morada neste pobre coração
Vem alcançar-me com gratuita salvação
Amor imenso que não mereci

Clamei pelo teu nome quando a escuridão chegou
Em meio à luta minha alma te buscou
E o Deus dos deuses a mim se revelou

Do ar que eu respiro
Ao pão que vou comer
Do nascer do dia
Ao anoitecer
Jesus,
O que eu faço é te agradecer

Sondastes o mal
Que há em meu coração
E ainda assim morrestes
Pelo meu perdão
E tudo o que posso é te agradecer.
Te agradecer.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Cordéis aos pacientes

Cordéis escritos para o trabalho final dos alunos do curso de especialização em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente ofertado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa - IEP em parceria com Hospital Sírio Libanês- HSL e Ministério da Saúde.

Por Kleidianne Nogueira

Ao precisar do hospital
Não se acanhe, apenas entre
E depois de aqui entrar
Seu nome muda, é PACIENTE

Este hospital é regional
Serve a milhares de pessoas
Aqui dentro são todas iguais
Viram pacientes até ficarem boas

A sua nova identidade
Não fica no bolso ou carteira
Seu documento fica no braço
O nome dele é PULSEIRA

Não a retire, por favor
Não a esconda, é importante
Se não tem uma nos avise
O uso deve ser constante

A pulseira no seu braço
Nos diz que é você mesmo
Pode parecer engraçado
Mas é o procedimento adequado
Pra não trocar de paciente

-+-+-+---

Vou contar para vocês
O causo do Doutor Limpeza
Era homem odiado
Me desculpem a franqueza

Limpeza era um bom doutor
Muito capaz e competente
Tratava de qualquer dor
Só não arrancava dente

Mas o povo era cabreiro
Com uma atitude do doutor
Bastava cumprimentar
A mão do povo apertar
Que logo o doutor limpeza
As mãos corria a lavar

Vixe, menino!
Era confusão!
"Esse doutor é nojento!"
Mas essa situação
Vou explicar nesse momento

Limpeza não tinha nojo
Como esse povo pensa
Não fazia por orgulho
Não queria desavença

É que ficou comprovado
Por uma tal de ciência
Que um aperto de mão
Pode transmitir doença

A intenção do doutor
Era livrar o paciente
De pegar da sua mão
Algum mal diferente
Daquele que o levou
A estar na sua frente

Por isso, no hospital
É sempre bom lembrar
Que pelas suas mãos
A doença pode andar

Façam como o doutor
Se preocupem com a limpeza
Lavem as mãos, por favor
Pra saúde é uma beleza

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