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Mostrando postagens de 2018

O Reino das Borboletas Perfeitas

Por Kleidianne Nogueira

Era uma vez, e ainda é, um reino chamado Perfeição, lar da Perfeita, lagarta que tudo cria. A Perfeita era preenchida por um amor perfeito e infinito. Em determinada era, a Lagarta quis dividir esse amor que a preenchia com seres diferentes dela. Assim surgiram as borboletas. Belas, delicadas, capazes de voar livremente, mas atormentadas por um desejo insaciável de serem perfeitas como a Perfeita é.

Para que as borboletas viessem a existir de fato, era necessário que a Perfeita cuspisse pequenos casulos temporariamente sobre a Terra Imperfeita. Esses casulos se abriam ao toque suave de uma brisa vinda da própria Lagarta. Como um presente para que se lembrassem de seu amor por elas durante o exílio, a Perfeita escreveu-lhes uma carta contendo a descrição de si, das borboletas perfeitas e instruções para que encontrassem o caminho do Reino da Perfeição.

A carta ficou extensa e complexa como a perfeição. Por isso, quando a Perfeita estava encerrando sua escrita…

Argumentos infantis

Por Kleidianne Nogueira

Não que eu discorde de que mães corujas sejam fontes questionáveis para se obter informações sobre a capacidade intelectual das próprias crias, mas vocês tem que acreditar quando falo que a capacidade argumentativa da Luiza é fogo (pra não usar um palavrão). Confesso que, liderar crianças tão expontaneas tem sido um desafio surpreendente e enriquecedor.

Na primeira ocasião em que fui marcada pela argumentação persuasiva da minha filha, Luiza tinha apenas 2 anos e meio e estávamos a caminho da apresentação de Natal da creche numa noite quente de dezembro. Informada previamente pelas tias de que haveria venda de lanches no local e induzida a pedir que os pais comprassem, ela falou que queria bolo quando chegasse lá. Na época ela fazia dieta restritiva para leite e ovos, então minha resposta foi não. Ela simplesmente fechou os olhos, uniu as mãozinhas em frente do seu corpo e fez a seguinte oração:

- Papai do Céu, quero bolo. Em nome de Jesus, amém!

Quem duvida de…

Cordel da Psicologia

Cordel escrito com muito carinho para a página da querida amiga e psicóloga, Jesanni Viana.

Por Kleidianne Nogueira

Em tempos de correria
De estresse e competição
Vem a psicologia
Segurar a nossa mão.

Ela não resolve tudo
Mas aponta um caminho
Com um psicólogo astuto
Reflito, organizo e luto
Bem melhor que andar sozinho.

Antes de seguir o cordel
Quero me apresentar
Não estou aqui ao léu
O que quero é te ajudar

Jesanni é o meu nome
Meu sobrenome é Psicologia
Humanista até o tutano
Acredito que o ser humano
Tem em sim tudo o que precisa

Meu papel é te guiar
Pela estrada para dentro
Se você se entregar
Mais eficaz é o tratamento

O terapeuta humanista
Vê o ser humano inteiro
É profundo analista
Persegue tudo que é pista
Mas sabe que toda conquista
Depende do próprio sujeito

Deixo aqui o meu recado
Para quem está a sofrer
Deixe-se ser ajudado
Não adie esse cuidado
Psicólogo é preparado
Pra cuidar bem de você.

A lenda do parque - Parte 6

Por Kleidianne Nogueira
Quando terminei de tomar banho, tentei lançar a minha magia colorida mais uma vez, mas nada aconteceu. Entrei em casa e vi os meninos chorando, pedindo desculpa pra mamãe e prometendo que não iam mais fazer “isso”. Olhei pras minhas mãos e pensei “não vamos mesmo”. Até que ouvi a pior notícia que poderia ter ouvido naquele momento.
- Vão jantar e dormir! Se tivessem comportamento de gente iam pro parque hoje com a tia Aurora, mas viraram bicho! Uns cavalões desse tamanho…
  Os meninos me olharam pedindo socorro, um plano novo ou pelo menos uma explicação sobre o que a gente tinha vivido naquela tarde. Não pude oferecer nenhuma das opções. Entrei no quarto que dividia com tia Aurora e não saí nem para o jantar. Nunca mais mencionamos aquela aventura. Preferimos fingir que não aconteceu e esconder nossas dúvidas quanto à própria sanidade.
  Em poucos dias, fomos para a casa de nossa avó para celebrar o Natal. O principal assunto dos primos era o parque e como el…

A lenda do parque - Parte 5

Por Kleidianne Nogueira
- Ai, meu Deus! Olha isso!
  Das nossas mãos saíam feixes de luz e brilho colorido como nos desenhos animados. Da cor que era o algodão doce que cada um havia comido eram também as explosões de magia que saíam das nossas mãos. E nós ficamos abrindo e fechando as mãos algum tempo sem acreditar no que estava acontecendo.
- Uau! Que legal!
- Olha lá, o meu vai mais longe!
- E o meu tem mais brilho!
- Vamos jogar em cima das galinhas!
  Elas não tiveram mais sossego naquela tarde. Corríamos atrás delas apontando as palmas das mãos e enchendo o galinheiro de brilho e cores. Enquanto corria, esbarrei no Lucas e percebi que a roupa dele estava tão colorida quanto a estranha que havia nos presenteado com aquela mágica. Só então olhei para a minha própria roupa e me vi uma miniatura da mulher colorida. Voltei a correr atrás das galinhas e vi o Felipe saindo do galinheiro com o Lucas.
- Olha, Lucas! Vou pintar o pé de caju de amarelo!
- Eu vou pintar a pia de azul!
  Pi…

A lenda do parque - Parte 4

Por Kleidianne Nogueira
Como o quintal tinha apenas uma cerca, passamos por ela e chegamos aos fundos sem entrar em casa e levantar questionamentos sobre a origem daquele algodão doce. Intuindo o que iria acontecer e completamente envolvidos pelas palavras da mulher colorida, nos sentamos em círculo no chão do galinheiro. Coloquei o papel no centro com uma pedra sobre ele.
  Abrimos os saquinhos em silêncio e começamos a comer devagar. A gente se olhava imaginando mil desfechos para aquele momento. O silêncio só era quebrado quando alguma galinha vinha pra cima da gente e era preciso expulsar. Até que ouvi a primeira gargalhada.
- Ha, ha, ha… isso faz cócegas!
- Isso o que, Igor?
- O algodão doce... ha, ha, ha, ha…. Está fazendo cócegas por dentro…
  Depois foi a vez do Felipe, e em seguida o Lucas. Quanto mais comiam, mais sorriam.
- Eu não estou sentindo cócegas nenhuma. Sem cócegas… ai, não! Minha barriga tá coçando. Coçando muito!
- Parece que a Maria das Alergias tem alergia a a…

A lenda do parque - Parte 3

Por Kleidianne Nogueira
Fomos até a bilheteria depois do lanche e a encontramos fechada. Não avistamos nenhum funcionário do parque por perto e precisávamos do valor exato dos ingressos para não correr o risco de ficar alguém de fora da diversão. Se deixássemos para ver o valor à noite e voltássemos em casa para pedir o dinheiro, corríamos o risco de sermos pegos pelo papai nesse entra e sai. Ele ia cismar.
- Que raio de parque fraco! Não tem nem uma placa com o preço dos ingressos!
- Que raio de fã de parque fraca! Quatro anos espiando os brinquedos e nunca perguntou quanto custa…
  Ouvi os três caçoando de mim e retruquei.
- Deixa de ser tonto, Felipe! Lógico que eu sei! É que todo ano eles mudam o preço… quero só confirmar.
- Sei…
  Continuaram sorrindo e eu já ia para cima deles alegar que se não parassem de caçoar, eu ia acabar com o plano e ninguém ia brincar no bate-bate.    De furiosa passei a assustada quando uma mulher entrou de supetão bem na minha frente com a roupa mais …

A lenda do parque - Parte 2

Por Kleidianne Nogueira
- É o seguinte, esse ano o parque não vai embora antes da gente entrar naquele bate-bate.
-Tá louca, é, Luiza? Tu não tem medo de choque, não?
- Eu inventei aquela história de choque, Lucas! Não tem perigo.
- E o pai vai mesmo levar a gente?
- Felipe, nem que ele gostasse de parque ele ia sair de casa à noite. Ele não vai trocar o rádio pelo parque. A gente vai usar o Igor…
- Eu?! - ele arregalou os olhos sem entender.
- A tia Aurora te adora e faz tudo por você.
- Verdade, Luiza. O Igor é o bebezinho da tia Aurora. Vive ganhando presente, cheirinho… beijinho na cabeça…
- Para, Lucas! Sai pra lá!
- Parem os dois! Nós vamos fazer assim: antes do jantar a gente vai lá na bilheteria confirmar o preço do ingresso pro bate-bate.Depois do jantar, o Igor vai lá na tia Aurora pedir moedas. Sendo na hora da novela, ela não vai perder tempo perguntando pra que é. Vai dizer onde a lata das moedas está escondida dessa vez e vai dizer pra ele ir lá pegar. Eu vou com o Igor…

A Lenda do Parque - Parte 1

Por Kleidianne Nogueira
No ano de 1986 conhecemos o programa matinal da Xuxa na Globo e ficamos fascinados com as paquitas. Foi nesse ano também que ocorreram as explosões de Chernobyl e do Challenger. Mas os acontecimentos que continuam vivos na minha memória depois de 60 anos ocorreram numa pacata cidade do interior do nordeste.
  Todos os anos, no mês de dezembro, um parque de diversões chamado Algodão Doce instalava-se em frente à nossa casa, no espaço aberto pela prefeitura para uma futura praça. Eu e meus três irmãos sempre pedíamos ao nosso pai para levar a gente no parque e usar os brinquedos. A promessa era sempre a mesma:
- Antes do parque ir embora eu levo vocês lá. Me lembrem.
  Não adiantava nada lembrar. Era aquele tipo de promessa que alguns pais fazem só para calar os pedidos dos filhos e ganhar tempo. Ouvi a mesma promessa desde os meus seis anos e só conhecia o parque por dentro porque naquele tempo era comum crianças andarem pelas redondezas sem a companhia de um a…

A dama dos cadeados - Parte 4

Por Kleidianne Nogueira
Não havia namorado virtual. Ela não sabia porque tinha inventado aquilo e também não entendia o porquê do estômago embrulhado se por tanto tempo ela desejou que aquela cena com o Saulo acontecesse.
  Íris decidiu não ir trabalhar e ligou para explicar que estava indisposta. Passou a manhã inteira sozinha com os próprios pensamentos e enfim entendeu suas reações adolescentes. No fundo ela sabia que com Saulo não seria apenas um namoro, afinal, ela já os considerava um tipo de namorados. Ela sabia que estava diante de um daqueles momentos únicos da vida em que a pessoa tem que tomar uma decisão cujas consequências irão acompanhá-la até os últimos dias. Voltou pra casa ainda indecisa com relação a Saulo, mas decidida quanto ao revestimento do sofá.
- Você vai voltar hoje pra estofaria, colega!
  À noite, Saulo encontrou a porta entreaberta e ao espiar pela brecha viu a sala vazia. Procurou indícios dos cadeados e não encontrou nenhum rastro. Empurrou a porta e co…

A dama dos cadeados - Parte 3

Por Kleidianne Nogueira
Saulo não correu na noite anterior para se desculpar pelas ironias, mas certamente estava arrependido. Foi o que pensou Iris quando saía para o primeiro turno de trabalho. Ela se deparou com um livro e um envelope no chão em frente à porta de seu apartamento.
  O livro que agora tinha nas mãos era exatamente o mesmo que havia devolvido à estante ao se irritar com Saulo. Pegou o livro, começou a abrir o envelope e a conversar sozinha, como de costume.
- Fui tão grosseira com ele. Que vergonha! Ele é um bom homem. Só preciso entender que ele tem um jeito meio diferente de brincar comigo...
  E Iris já ia começando a se arrepender do que estava falando quando o viu surgir, descendo as escadas.
- Bom dia, Iris!
- Pra ver se eu me ocupo um pouco menos com a internet? Foi pra isso que você me deu este livro? – Franziu a testa e ergueu a sobrancelha com o livro em uma mão e o bilhete em outra.
- Eu só tenho um jeito diferente de brincar com você... – deu-lhe um beijo na te…

A dama dos cadeados - Parte 2

Por Kleidianne Nogueira
A moça dos cadeados era Íris, nome que agradava ao excêntrico amigo Saulo. Simples, de uma vogal só. Aos 31 anos, solteira e virgem, o que afetava mais os dias tediosos da professora era a tal estabilidade econômica que, em três décadas de existência, não conseguira alcançar.   Filha única, Iris nunca sonhou com os ideais feministas de se tornar uma mulher independente, com uma carreira brilhante e uma bela conta bancária. Na verdade, se preocupava apenas em viver. Achava que não tinha sonhos. Somente descobria possuí-los quando os via realizados. Já não eram sonhos.
  Formou-se em Letras e dava aulas de redação nos escolas mais requisitadas da cidade. Apesar do bom salário e de ser sozinha, o dinheiro não era suficiente para dar a ela a segurança de que precisava para finalmente investir no projeto da casa própria. Assim, conseguiu uma vaga de colunista em um site local para complementar a renda e talvez arriscar um financiamento. Não receberia grandes quantia…

Te agradecer

Por Kleidianne Nogueira



Óh, vem fazer morada neste pobre coração
Vem alcançar-me com gratuita salvação
Amor imenso que não mereci

Clamei pelo teu nome quando a escuridão chegou
Em meio à luta minha alma te buscou
E o Deus dos deuses a mim se revelou

Do ar que eu respiro
Ao pão que vou comer
Do nascer do dia
Ao anoitecer
Jesus,
O que eu faço é te agradecer

Sondastes o mal
Que há em meu coração
E ainda assim morrestes
Pelo meu perdão
E tudo o que posso é te agradecer.
Te agradecer.

Cordéis aos pacientes

Cordéis escritos para o trabalho final dos alunos do curso de especialização em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente ofertado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa - IEP em parceria com Hospital Sírio Libanês- HSL e Ministério da Saúde.

Por Kleidianne Nogueira

Ao precisar do hospital
Não se acanhe, apenas entre
E depois de aqui entrar
Seu nome muda, é PACIENTE

Este hospital é regional
Serve a milhares de pessoas
Aqui dentro são todas iguais
Viram pacientes até ficarem boas

A sua nova identidade
Não fica no bolso ou carteira
Seu documento fica no braço
O nome dele é PULSEIRA

Não a retire, por favor
Não a esconda, é importante
Se não tem uma nos avise
O uso deve ser constante

A pulseira no seu braço
Nos diz que é você mesmo
Pode parecer engraçado
Mas é o procedimento adequado
Pra não trocar de paciente

-+-+-+---

Vou contar para vocês
O causo do Doutor Limpeza
Era homem odiado
Me desculpem a franqueza

Limpeza era um bom doutor
Muito capaz e competente
Tratava de qualquer dor
Só não…